sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Paulo Freire > Leituras do mundo
“É preciso (...) que o formando, desde o princípio de sua experiência formadora, assumindo-se com sujeito também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. (A Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários a prática docente)
Poucos brasileiros foram tão marcantes para a cultura mundial quanto Paulo Freire. Referência nacional que ganhou o mundo em virtude de sua obra incisiva, renovadora e verdadeiramente revolucionária, o educador pernambucano atravessou os sete mares e fez o percurso inverso de Colombo, Cabral e companhia limitada. Levou para a Europa e para os demais continentes uma contribuição original e necessária para a renovação dos saberes pedagógicos.
Homem assumidamente de hábitos simples e visão otimista da vida, nascido em 21 de Setembro de 1921, no Recife, desde sua iniciação no mundo da educação teve um contato muito próximo e relevante para a sua produção com a realidade dos pobres e humildes. Isso seria fundamental para que sua obra pudesse atingir a envergadura a que chegou.
Suas leituras do mundo o conduziram a uma clara percepção das desigualdades existentes em nosso país e em outras regiões do planeta assim como a compreensão de que a educação teria que ser repensada e refundada se tivesse a real intenção de se mostrar transformadora e efetiva na superação das injustiças sociais que vislumbrava ao seu redor.
Das convicções surgidas na labuta diária como professor, que passou por praticamente todos os níveis de trabalho existentes nesse segmento profissional, foram sendo criados textos que resultaram em livros que atualmente possuem tradução em várias línguas e que são objeto de estudo em diversas instituições de pesquisa e universidades interessadas em educação.
Obras como Pedagogia do Oprimido, Educação como Prática da Liberdade, A Importância do Ato de Ler, Pedagogia da Autonomia, Ação Cultural para a Liberdade, Educação e Mudança, Aprendendo com a própria Historia, entre outras, levaram adiante a retórica dialética e fenomenológica de Paulo Freire e serviram como voz e bandeira para povos que se sentiam oprimidos e relegados ao esquecimento e ao abandono.
A periferia do capitalismo parecia ter adquirido clara consciência da desigualdade e de como modelos importados não resolveriam seus problemas numa área crucial para seu desenvolvimento como a educação. Falar em crescimento sem que sejam feitos os devidos investimentos e aperfeiçoamentos nas escolas não combina nem mesmo com a mais vil e rasteira ideologia neoliberal.
O que Freire e depois dele tantos outros educadores perceberam é que estava na hora de levantar a cabeça, conversar olho no olho, superar qualquer constrangimento ou embaraço relativo à pobreza de nossos povos, adotar uma postura de altivez e reformular a tradicional forma de ensinar que apenas reproduzia conteúdos e não legava instrumentos reais para o exercício pleno da liberdade.
Passados alguns anos de seu desaparecimento, Paulo Freire continua vivo através de sua obra. Seus livros servem de inspiração para congressos, debates, colóquios e novos estudos universitários. Novas edições são relançadas no mercado editorial e estudadas provando a atualidade de seus pensamentos e colocações. Seus posicionamentos continuam a despertar polêmica e promover discussões.
Nesse ínterim assistimos o surgimento e aperfeiçoamento da rede mundial de computadores que foi ganhando corpo e se estendendo aos quatro cantos do mundo. Pela Internet as pessoas querem saber mais a respeito de tudo e as obras clássicas acabam se tornando elemento essencial para o estudo e aperfeiçoamento em toda e qualquer área do conhecimento. Com a educação não poderia ser diferente.
Fonte: Instituto Paulo Freire
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Ser professor: uma escolha de poucos
Pesquisa com estudantes do Ensino Médio comprova a baixa atratividade da docência
Síntese da pesquisa sobre atratividade da carreira docente:
Nos últimos anos, tornou-se comum a noção de que cada vez menos jovens querem ser professores. Faltava dimensionar com mais clareza a extensão do problema. Um estudo encomendado pela Fundação Victor Civita (FVC) à Fundação Carlos Chagas (FCC) traz dados concretos e preocupantes: apenas 2% dos estudantes do Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular graduações diretamente relacionadas à atuação em sala de aula - Pedagogia ou alguma licenciatura (leia o gráfico abaixo).
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Uma profissão desvalorizada
Só 2% dos entrevistados pretendem cursar Pedagogia ou alguma Licenciatura, carreiras pouco cobiçadas por alunos das redes pública e particular
Fonte: Pesquisa Atratividade da Carreira Docente no Brasil (FVC/FCC)
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A pesquisa, que ouviu 1.501 alunos de 3º ano em 18 escolas públicas e privadas de oito cidades, tem patrocínio da Abril Educação, do Instituto Unibanco e do Itaú BBA e contou ainda com grupos de discussão para entender as razões da baixa atratividade da carreira docente. Apesar de reconhecerem a importância do professor, os jovens pesquisados afirmam que a profissão é desvalorizada socialmente, mal remunerada e com rotina desgastante (leia as frases em destaque).
"Se por acaso você comenta com alguém que vai ser professor, muitas vezes a pessoa diz algo do tipo: 'Que pena, meus pêsames!'"
Thaís*, aluna de escola particular em Manaus, AM
"Se eu quisesse ser professor, minha família não ia aceitar, pois investiu em mim. É uma profissão que não dá futuro."
André*, aluno de escola particular em Campo Grande, MS
* Os nomes dos alunos entrevistados foram alterados para preservar a confidencialidade da pesquisa
O Brasil já experimenta as consequências do baixo interesse pela docência. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental o déficit de professores com formação adequada à área que lecionam chega a 710 mil (leia o gráfico ao lado). E não se trata de falta de vagas. "A queda de procura tem sido imensa. Entre 2001 e 2006, houve o crescimento de 65% no número de cursos de licenciatura. As matrículas, porém, se expandiram apenas 39%", afirma Bernardete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e supervisora do estudo. De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2009, o índice de vagas ociosas chega a 55% do total oferecido em cursos de Pedagogia e de formação de professores.
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Faltam bons candidatos
A baixa procura contrasta com a falta de docentes com formação adequada
Fontes: Inep e Censo da Educação Superior (2004 e 2008)
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Um terço dos jovens pensou em ser professor, mas desistiu
O estudo indica ainda que a docência não é abandonada logo de cara no processo de escolha profissional. No total, 32% dos estudantes entrevistados cogitaram ser professores em algum momento da decisão. Mas, afastados por fatores como a baixa remuneração (citado nas respostas por 40% dos que consideraram a carreira), a desvalorização social da profissão e o desinteresse e o desrespeito dos alunos (ambos mencionados por 17%), acabaram priorizando outras graduações. O resultado é que, enquanto Medicina e Engenharia lideram as listas de cursos mais procurados, os relativos à Educação aparecem bem abaixo.
Um recorte pelo tipo de instituição dá mais nitidez a outra face da questão: o tipo de aluno atraído para a docência. Nas escolas públicas, a Pedagogia aparece no 16º lugar das preferências. Nas particulares, apenas no 36º. A diferença também é grande quando se consideram alguns cursos de disciplinas da Escola Básica. Educação Física, por exemplo, surge em 5º nas públicas e 17º nas particulares. "Essas informações evidenciam que a profissão tende a ser procurada por jovens da rede pública de ensino, que em geral pertencem a nichos sociais menos favorecidos", afirma Bernardete. De fato, entre os entrevistados que optaram pela docência, 87% são da escola pública. E a grande maioria (77%), mulheres.
O perfil é bastante semelhante ao dos atuais estudantes de Pedagogia. De acordo com o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de Pedagogia, 80% dos alunos cursaram o Ensino Médio em escola pública e 92% são mulheres. Além disso, metade vem de famílias cujos pais têm no máximo a 4ª série, 75% trabalham durante a faculdade e 45% declararam conhecimento praticamente nulo de inglês. E o mais alarmante: segundo estudo da consultora Paula Louzano, 30% dos futuros professores são recrutados entre os alunos com piores notas no Ensino Médio. O panorama desanimador é resumido por Cláudia*, aluna de escola pública em Feira de Santana, a 119 quilômetros de Salvador:
"Hoje em dia, quase ninguém sonha em ser professor. Nossos pais não querem que sejamos professores, mas querem que existam bons professores. Assim, fica difícil".
Fonte: Revista Educar
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Arte é a expressão do cotidiano
Quem tem medo da arte contemporânea? Se por um lado essa pergunta remete a algo capaz de provocar pavor, por outro retrata um sentimento comum quando o assunto é arte। Não por acaso, tal indagação dá título a um livro publicado em 2007 pela Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, com base em uma série de aulas ministradas pelo crítico de arte e curador Fernando Cocchiarale. E por que a arte contemporânea suscita temores? Porque, como descreve o autor, "habituamo-nos a pensar que a arte é uma coisa muito diferente da vida, dela separada pela moldura e pelo pedestal e, aliás, a arte foi mesmo isso durante a maior parte de sua história". Assim foi no Renascimento, no século XVIII, e também até meados do século XX, antes de o planeta assistir ao ocaso de sua própria ideia de mundo com guerras e novas tecnologias de produção e comunicação.Dessa forma, continua Cocchiarale, "a ideia de uma arte que se confunda com a vida é difícil de assimilar porque o nosso repertório ainda é informado por muitos traços conservadores". Uma primeira conclusão seria, portanto, que a arte contemporânea é a que se produz nos dias atuais, que é impossível dissociá-la das sensações e descobertas que torpedeiam o mundo ou mesmo da existência cotidiana de um cidadão. Mas é viável demarcar fronteiras cronológicas para seu surgimento. "De um ponto de vista consagrado em termos historiográficos, é a arte feita a partir do início da década de 1960, quando as certezas e utopias que definiam o projeto da arte moderna se esgotam, e outras possibilidades (arte pop, minimalismo, arte conceitual) se impõem como alternativas. É razoável, ainda, defini-la como a arte que se debruça sobre as questões de seu tempo e que problematiza o mundo em que vivemos", sustenta o pesquisador, crítico e curador Moacir dos Anjos, responsável pela curadoria do Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2007.Pioneirismo e ambivalênciaPor "problematizar", é saudável entender não uma postura de combate às instituições, mas um tipo de produção que busca na invenção formal uma maneira diferente de analisar tudo o que a cerca. A arte contemporânea mete medo porque, ao se deparar com algumas de suas obras, o público vê suas convenções embaralhadas. A fruição desses trabalhos pode ser frustrante porque o observador se põe em dúvida, ainda que em breves segundos, sobre o que está à sua frente.
Foi assim em 1917, quando Marcel Duchamp submeteu Fonte a um concurso nos Estados Unidos. A obra consistia num urinol branco, com a assinatura R. Mutt, ou seja, um objeto trazido da esfera da vida cotidiana para o circuito de museus e galerias. Nascia o readymade, e a ousadia do artista causou furor e o colocou em um patamar de destaque em relação à arte que seria concebida e concretizada em seguida. "Era um visionário que prenunciou uma época. O contemporâneo na arte não diz respeito a uma temporalidade específica, e sim a uma espécie de diálogo com o espírito de uma época. Nem tudo o que se faz hoje, por exemplo, é arte contemporânea. Trinta anos depois de Duchamp, houve a bomba em Hiroshima e o mundo perdeu a inocência. Vieram a crise dos papéis sociais, dos lugares das coisas e uma insegurança na classificação das obras de arte. Duchamp antecipa isso ao assinar o mictório, dando ao artista o poder de decidir o sistema de legitimação", observa a curadora e crítica Cristiana Tejo, ex-diretora do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, do Recife, e coordenadora de capacitação e difusão científico-cultural da Fundação Joaquim Nabuco.Para ela, não se pode pensar em arte contemporânea sem o pioneirismo de Marcel Duchamp e a ambivalência de Andy Warhol. A pop art defendida pelo artista é essencial por transformar em matéria-prima o mundo de então. "Ele é cínico e crítico. Ao constatar que, no futuro, todos terão 15 minutos de fama, Warhol falava da vida, da velocidade com que as coisas mudam, do artista que faz do mundo seu ateliê. Na arte contemporânea, o que importa não é a linguagem, e sim a forma de operar", pontua Cristiana. As obras passam a dispor de vários suportes, ganham espaço as performances, a interação com novas mídias, as instalações - ou seja, algo que não se assemelha a ícones como os quadros de Van Gogh, ou mesmo a Mona Lisa, de Da Vinci, apenas para citar a arte ocidental.Ideias circulantes"A característica da arte contemporânea é a multiplicidade de expressões. Em uma Bienal de Veneza ou na Documenta de Kassel se encontram performances em vídeo, arte conceitual e instalações se confrontando numa sinergia. Há uma convergência. Se antes as coisas eram mais estanques, a contemporaneidade fez com que essas expressões interagissem em diálogos, interfaces, trocas. O cinema incorpora literatura, pintura, dramaturgia, e o teatro incorpora o cinema. Há uma circularidade dos formatos e das ideias estéticas", argumenta o crítico, professor e doutor em cinema pela Universidade de Sorbonne - Paris 3 Alexandre Figueirôa. Na produção cinematográfica, por exemplo, é possível distinguir os autores que romperam as estruturas tradicionais. "F. W. Murnau, Luis Buñuel, Dziga Vertov, Jean Rouch, Sergei Eisenstein quebraram paradigmas. Aos poucos o fazer artístico passou a exigir um olhar mais atento e uma abertura por parte do espectador", pontua Figueirôa.Tal abertura é essencial para a apreciação da arte em todas as suas manifestações - cinema, literatura, teatro, dança -, pois todas estão conectadas a uma noção de contemporâneo. "Desde que se entenda essa noção não como um estilo, mas como um modo de pensar, de organizar os pensamentos que ajudam a formular as proposições artísticas sobre o mundo", salienta a pesquisadora e coordenadora do programa de pós-graduação em dança da Universidade Federal da Bahia Fabiana Dultra Britto. Ela defende que "as modificações históricas nos modos de pensar e produzir arte" advêm menos de "gênios iluminados" e mais de um "processo contínuo de contaminação das ideias circulantes em cada contexto". Pode-se, contudo, rastrear os artistas que catalisaram "certo modo de pensamento artístico e procedimento compositivo fortemente identificado com princípios lógicos contemporâneos, como a não-linearidade, o acaso, a complexidade". Na dança, Fabiana cita Merce Cunningham, Trisha Brown, Lucinda Childs, Steve Paxton, Jèrôme Bel e Meg Stuart, entre outros.No cinema, o radicalismo de Jean-Luc Godard e a poética de Pier Paolo Pasolini, por exemplo, nem sempre agradam; e, no teatro, Samuel Beckett enfrentou resistência com sua visão ácida, da mesma maneira que existem detratores das encenações de Zé Celso Martinez Corrêa। "A suposta 'dificuldade' em 'entender' a arte contemporânea está em querer medi-la e julgá-la a partir de parâmetros que não reconhecem as suas especificidades। Como qualquer outro campo de expressão e de conhecimento humano, as artes visuais possuem uma história que continuamente (re)constrói convenções sobre as quais operam। É preciso pensar se faz realmente sentido a ideia de 'entender' a produção contemporânea em artes visuais, já que não cobramos um 'entendimento', por exemplo, da música que escutamos no rádio", pondera Moacir dos Anjos.A arte contemporânea, portanto, não deve ser enquadrada em conceitos anacrônicos, e sim sentida como eco de um mundo voraz, múltiplo e vasto. Esse mundo é representado não pela verossimilhança, e sim pela liberdade. A produção atual se dirige a espectadores/fruidores/consumidores que acolhem a pluralidade e exercitam a generosidade no olhar, e oferece a quem se aproxima de uma pintura, uma instalação, um filme ou uma performance um caminho no qual os significados estão abertos e ainda em construção.
Quem tem Medo da Arte Contemporânea?
Fernando Cocchiarale, crítico de arte e ex-curador do MAM-RJ realiza o workshop Quem tem Medo da Arte Contemporânea?, de 8 a 10 de maio, na Escola Guignard – Rua Ascânio Bulamarque, 540 – Mangabeiras। O valor da inscrição é R$ 300,00 e o curso acontecerá quinta e sexta, das 19h às 22h e no sábado, de 10h às 13h. Informações pelo telefone (31) 3337-7007.
Foi assim em 1917, quando Marcel Duchamp submeteu Fonte a um concurso nos Estados Unidos. A obra consistia num urinol branco, com a assinatura R. Mutt, ou seja, um objeto trazido da esfera da vida cotidiana para o circuito de museus e galerias. Nascia o readymade, e a ousadia do artista causou furor e o colocou em um patamar de destaque em relação à arte que seria concebida e concretizada em seguida. "Era um visionário que prenunciou uma época. O contemporâneo na arte não diz respeito a uma temporalidade específica, e sim a uma espécie de diálogo com o espírito de uma época. Nem tudo o que se faz hoje, por exemplo, é arte contemporânea. Trinta anos depois de Duchamp, houve a bomba em Hiroshima e o mundo perdeu a inocência. Vieram a crise dos papéis sociais, dos lugares das coisas e uma insegurança na classificação das obras de arte. Duchamp antecipa isso ao assinar o mictório, dando ao artista o poder de decidir o sistema de legitimação", observa a curadora e crítica Cristiana Tejo, ex-diretora do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, do Recife, e coordenadora de capacitação e difusão científico-cultural da Fundação Joaquim Nabuco.Para ela, não se pode pensar em arte contemporânea sem o pioneirismo de Marcel Duchamp e a ambivalência de Andy Warhol. A pop art defendida pelo artista é essencial por transformar em matéria-prima o mundo de então. "Ele é cínico e crítico. Ao constatar que, no futuro, todos terão 15 minutos de fama, Warhol falava da vida, da velocidade com que as coisas mudam, do artista que faz do mundo seu ateliê. Na arte contemporânea, o que importa não é a linguagem, e sim a forma de operar", pontua Cristiana. As obras passam a dispor de vários suportes, ganham espaço as performances, a interação com novas mídias, as instalações - ou seja, algo que não se assemelha a ícones como os quadros de Van Gogh, ou mesmo a Mona Lisa, de Da Vinci, apenas para citar a arte ocidental.Ideias circulantes"A característica da arte contemporânea é a multiplicidade de expressões. Em uma Bienal de Veneza ou na Documenta de Kassel se encontram performances em vídeo, arte conceitual e instalações se confrontando numa sinergia. Há uma convergência. Se antes as coisas eram mais estanques, a contemporaneidade fez com que essas expressões interagissem em diálogos, interfaces, trocas. O cinema incorpora literatura, pintura, dramaturgia, e o teatro incorpora o cinema. Há uma circularidade dos formatos e das ideias estéticas", argumenta o crítico, professor e doutor em cinema pela Universidade de Sorbonne - Paris 3 Alexandre Figueirôa. Na produção cinematográfica, por exemplo, é possível distinguir os autores que romperam as estruturas tradicionais. "F. W. Murnau, Luis Buñuel, Dziga Vertov, Jean Rouch, Sergei Eisenstein quebraram paradigmas. Aos poucos o fazer artístico passou a exigir um olhar mais atento e uma abertura por parte do espectador", pontua Figueirôa.Tal abertura é essencial para a apreciação da arte em todas as suas manifestações - cinema, literatura, teatro, dança -, pois todas estão conectadas a uma noção de contemporâneo. "Desde que se entenda essa noção não como um estilo, mas como um modo de pensar, de organizar os pensamentos que ajudam a formular as proposições artísticas sobre o mundo", salienta a pesquisadora e coordenadora do programa de pós-graduação em dança da Universidade Federal da Bahia Fabiana Dultra Britto. Ela defende que "as modificações históricas nos modos de pensar e produzir arte" advêm menos de "gênios iluminados" e mais de um "processo contínuo de contaminação das ideias circulantes em cada contexto". Pode-se, contudo, rastrear os artistas que catalisaram "certo modo de pensamento artístico e procedimento compositivo fortemente identificado com princípios lógicos contemporâneos, como a não-linearidade, o acaso, a complexidade". Na dança, Fabiana cita Merce Cunningham, Trisha Brown, Lucinda Childs, Steve Paxton, Jèrôme Bel e Meg Stuart, entre outros.No cinema, o radicalismo de Jean-Luc Godard e a poética de Pier Paolo Pasolini, por exemplo, nem sempre agradam; e, no teatro, Samuel Beckett enfrentou resistência com sua visão ácida, da mesma maneira que existem detratores das encenações de Zé Celso Martinez Corrêa। "A suposta 'dificuldade' em 'entender' a arte contemporânea está em querer medi-la e julgá-la a partir de parâmetros que não reconhecem as suas especificidades। Como qualquer outro campo de expressão e de conhecimento humano, as artes visuais possuem uma história que continuamente (re)constrói convenções sobre as quais operam। É preciso pensar se faz realmente sentido a ideia de 'entender' a produção contemporânea em artes visuais, já que não cobramos um 'entendimento', por exemplo, da música que escutamos no rádio", pondera Moacir dos Anjos.A arte contemporânea, portanto, não deve ser enquadrada em conceitos anacrônicos, e sim sentida como eco de um mundo voraz, múltiplo e vasto. Esse mundo é representado não pela verossimilhança, e sim pela liberdade. A produção atual se dirige a espectadores/fruidores/consumidores que acolhem a pluralidade e exercitam a generosidade no olhar, e oferece a quem se aproxima de uma pintura, uma instalação, um filme ou uma performance um caminho no qual os significados estão abertos e ainda em construção.
Quem tem Medo da Arte Contemporânea?Fernando Cocchiarale, crítico de arte e ex-curador do MAM-RJ realiza o workshop Quem tem Medo da Arte Contemporânea?, de 8 a 10 de maio, na Escola Guignard – Rua Ascânio Bulamarque, 540 – Mangabeiras। O valor da inscrição é R$ 300,00 e o curso acontecerá quinta e sexta, das 19h às 22h e no sábado, de 10h às 13h. Informações pelo telefone (31) 3337-7007.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
...ser ou não ser
A arte é elitista

Por muitas vezes contraditória, por tomar coca cola e amar bicho-grilismo, sempre fui contra elitismos, exclusões e coisas do gênero. Por essas e outras sempre odiei Grande sertão veredas, sempre achei ridículo sociedadezinha brasileira de letras que vê dragões e paradoxos na maldita pedra do meio do caminho ou gente que diz que Chico Buarque que é musica de verdade e o resto não presta. Todos os exemplos acima e muitos outros foram odiados por muito tempo exatamente pelo elitismo que existe dentro dos círculos sociais daqueles que gostam de tais coisas.
"Porque Guimarães Rosa é um mestre. Porque ele fez uma verdadeira obra de arte, porque o texto é lindo e bla bla bla". Os outros casos seguem a mesma linha, e o elitismo surge justamente na parte de: "Se você não vê a beleza de Guimarães quando ele coloca o sujeito na terceira pessoa do caso reto oblíquo com ângulo agudo sobre o interlocutor, então é porque você não consegue apreciar a arte". Sempre tive muita preguiça de gente que recitava de cor esses argumentos quando o assunto era artistas já aclamados, tal simplismo me irrita. Ou você esta com os críticos atuais, ou não entende nada de arte. Isso também é visto em obras de arte(e o atual cenário abstrato que esta sinceramente ridículo) ou até mesmo em áreas como jogos de video-game.
Por tanta exclusão daqueles que não conseguem entender o tipo específico de arte que sempre tive repulsa a tais coisas.Pra minha infelicidade fui obrigada a admitir o erro.
O problema de tudo isso não esta no elitismo em sí mas sim no ato de achar errado frases como: "Se você não vê beleza em o Grito é porque não entende de arte". Sim exatamente ai. Toque Vivaldi para um funkeiro carioca e ele terá asco de tal música. Mostre a Monalisa para alguém que não entenda de pintura realista, neim do contexto histórico no qual ela foi desenhada e ele somente verá uma pintura de uma jovem moça neim tão bonita assim.
O que eu quero dizer é que a arte é sim elitista, ela exclui e muito aqueles que não estão aptos a aprecia-la em toda sua grandeza. E não há nada de errado com isso.
Não se pode esperar que um total analfabeto em questões de sintaxe e gramática(eu) consiga apreciar os neologismos criados por Gaciliano ramos, do mesmo jeito que também alguém que nunca treinou seus ouvidos para música nunca conseguirá apreciar em toda sua completude uma sinfonia que envolva cerca de 50 instrumentos.
Assim temos uma arte que realmente se expressa somente em certos círculos e tende muito a formar grupos fechados. Por outro lado isso é inevitável quando se quer um especifísmo grande o bastante para criar obras imortais como a teoria da relatividade(que em vários círculos é ,muito justamente, interpretada como um obra de arte).
Já fui acusada de elitista por dizer que o artista é aquele que foge do que é comumente feito e dito, ou seja, do trivial. O que não é trivial é obviamente oposto ao que é popular. Obviamente quer dizer que o povo não é artista, pois este se elava acima daqueles.
Não é pelo baixo grau de escolaridade e pela ignorância do povo (que infelizmente é um fato) que digo isso, mas porque o artista sempre precisa estar acima dele, não importa quão instruída seja sua sociedade.
Mesmo que o mundo fosse formado de pessoas altamente instruídas e educadas (uma utopia, é lógico) o artista estaria além de todas estas coisas, assim como os cientistas e os filósofos. Mesmo que todos compreendessem o “Ser e o Tempo” ou o "Ser ou não ser", os filósofos obviamente deveriam estar além disso, pois é dele que viriam as novidades no âmbito da filosofia. Mesmo que todos compreendessem física quântica, os cientistas deveriam ter conhecimentos que o povo ainda não conhece, pois é deles que vêm as novidades. Da mesma fora são os artistas. Mesmo que toda a população fosse capaz de produzir obras maravilhosas, artistas seriam somente aqueles que fizessem obras ainda melhores, que fossem ainda mais originais, enfim que fugissem do trivial, mesmo que esse trivial fosse altamente elevado. Isso complicaria muito o trabalho de um artista, cientista ou filósofos. Mas no entanto suas produções seriam muito melhores.
O fato de a população não ter instrução não é a causa eficiente do artista, mas facilita seu trabalho. Por mais instruída que seja uma população, sempre haverá um pensamento padrão, e é disso que os artistas devem se distanciar.
Outro motivo de me acusarem de elitismo é o fato de defender que os artistas sejam pessoas altamente instruídas. Se defender isso é ser elitista, então eu o assumo. Mas se fosse assim, aqueles que me acusam também seriam elitistas, pois eles defendem que médicos e professores devem ser instruídos. Todos sabem um pouco sobre o mundo, mas isso não faz delas um professor. Todos sabem um ou dois remédios e sabem diagnosticar algumas doenças, mas isso não faz delas médicas. Da mesma forma, todos sabem escrever coisas bonitas, mas isso não faz delas poetas. É preciso uma longa educação e um treinamento para isso. A diferença é que para ser professor e/ou médico basta um diploma que é adquirido baseado nos méritos deles durante seu “treinamento”. Mas não existe diploma para certificar um poeta. Ele se faz nas suas obras. Ele precisa desta instrução para poder se elevar acima do pensamento comum, por mais alto que seja. Sem este estudo e este “treinamento” fica difícil tal feito – mas não digo impossível. Sem o conhecimento do que é trivial, ele não vai poder superar isso. Sem conhecer o que os outros artistas fizerem para fugir de tal pensamento, ele não vai encontrar o caminho certo. Por isso a instrução é importante. Nem todo mundo é médico, assim como não é todo mundo que é artista. Mas qualquer um pode ser médico se tiver a devida preparação, mas não há uma preparação específica para um artista. É elitista quem defende que médicos e professores devem ter uma preparação intelectual diferente das outras pessoas? Então por que é elitista dizer que artistas precisam de tal preparação?
Não é somente o artista quem busca fugir do trivial, buscar novos caminhos e formas de ver o mundo. Também o faz o filósofo e o cientista. Existem inúmeras diferenças entre os artistas e estes dois, mas a principal é a forma como eles expõem suas idéias. Filósofos e cientistas as expõem suas idéias com uma linguagem clara, direta e objetiva. Já os artistas o faz de modo simbólico, indireto, estético. Eles buscam uma fuga desta linguagem objetiva por ela ser trivial. O artista é quem mais se afasta desta realidade. Darwin, para falar da teoria da evolução, escreveu “A Origem das Espécies”. Os artistas escreveram romances naturalistas. Marx escreveu livros políticos/filosóficos para tratar das lutas de classes; Emile Zola escreveu “Germinal”. Schopenhauer falava de sofrimento e irracionalismo em suas obras; os expressionistas diziam o mesmo com suas cores. Os iluministas exaltavam a razão em seus livros filosóficos; Mozart celebrava o “século das luzes” com sua música. Nietzsche, em “Assim Falou Zaratustra”, utilizou narrativas e metáforas e vez da linguagem usual dos filósofos. Por conta disso, eu o considero este livro dentro do âmbito das artes e não da filosofia propriamente dita. A diferença básica é como essas idéias são tratadas. O artista as reveste com um conteúdo estético, o que muitas vezes torna difícil a apreensão destas idéias. Muitos dirão que não conseguem ver nenhuma idéia-profunda-que-se-distancia-do-trivial na música de Chopin, por exemplo. Mas ela está lá. O que acontece é que estas pessoas não estão preparadas para apreender estas idéias. É muito mais fácil captá-las dentro de um romance, pois é o que mais se aproxima da linguagem discursiva. Muitas vezes eu também não consigo apreender estas idéias dentro da música, justamente por esse distanciamento do “logos”, mas isso é decorrente de uma educação musical deficiente. A idéia profunda está lá, mas não podemos perceber por não termos conhecimento prévio para isso. Não é tão difícil notar a exaltação dos sentimentos em Beethoven e a fria precisão matemática de Mozart - pelo menos no começo da carreira. Toda obra de arte contém esta idéia profunda central. Às vezes não conseguimos apreendê-la, por isso precisamos adentrar o universo do autor e da “modalidade” artística que ele se utiliza, seja ela poesia, pintura, música, dança, etc.

Por muitas vezes contraditória, por tomar coca cola e amar bicho-grilismo, sempre fui contra elitismos, exclusões e coisas do gênero. Por essas e outras sempre odiei Grande sertão veredas, sempre achei ridículo sociedadezinha brasileira de letras que vê dragões e paradoxos na maldita pedra do meio do caminho ou gente que diz que Chico Buarque que é musica de verdade e o resto não presta. Todos os exemplos acima e muitos outros foram odiados por muito tempo exatamente pelo elitismo que existe dentro dos círculos sociais daqueles que gostam de tais coisas.
"Porque Guimarães Rosa é um mestre. Porque ele fez uma verdadeira obra de arte, porque o texto é lindo e bla bla bla". Os outros casos seguem a mesma linha, e o elitismo surge justamente na parte de: "Se você não vê a beleza de Guimarães quando ele coloca o sujeito na terceira pessoa do caso reto oblíquo com ângulo agudo sobre o interlocutor, então é porque você não consegue apreciar a arte". Sempre tive muita preguiça de gente que recitava de cor esses argumentos quando o assunto era artistas já aclamados, tal simplismo me irrita. Ou você esta com os críticos atuais, ou não entende nada de arte. Isso também é visto em obras de arte(e o atual cenário abstrato que esta sinceramente ridículo) ou até mesmo em áreas como jogos de video-game.
Por tanta exclusão daqueles que não conseguem entender o tipo específico de arte que sempre tive repulsa a tais coisas.Pra minha infelicidade fui obrigada a admitir o erro.
O problema de tudo isso não esta no elitismo em sí mas sim no ato de achar errado frases como: "Se você não vê beleza em o Grito é porque não entende de arte". Sim exatamente ai. Toque Vivaldi para um funkeiro carioca e ele terá asco de tal música. Mostre a Monalisa para alguém que não entenda de pintura realista, neim do contexto histórico no qual ela foi desenhada e ele somente verá uma pintura de uma jovem moça neim tão bonita assim.
O que eu quero dizer é que a arte é sim elitista, ela exclui e muito aqueles que não estão aptos a aprecia-la em toda sua grandeza. E não há nada de errado com isso.
Não se pode esperar que um total analfabeto em questões de sintaxe e gramática(eu) consiga apreciar os neologismos criados por Gaciliano ramos, do mesmo jeito que também alguém que nunca treinou seus ouvidos para música nunca conseguirá apreciar em toda sua completude uma sinfonia que envolva cerca de 50 instrumentos.
Assim temos uma arte que realmente se expressa somente em certos círculos e tende muito a formar grupos fechados. Por outro lado isso é inevitável quando se quer um especifísmo grande o bastante para criar obras imortais como a teoria da relatividade(que em vários círculos é ,muito justamente, interpretada como um obra de arte).
Já fui acusada de elitista por dizer que o artista é aquele que foge do que é comumente feito e dito, ou seja, do trivial. O que não é trivial é obviamente oposto ao que é popular. Obviamente quer dizer que o povo não é artista, pois este se elava acima daqueles.
Não é pelo baixo grau de escolaridade e pela ignorância do povo (que infelizmente é um fato) que digo isso, mas porque o artista sempre precisa estar acima dele, não importa quão instruída seja sua sociedade.
Mesmo que o mundo fosse formado de pessoas altamente instruídas e educadas (uma utopia, é lógico) o artista estaria além de todas estas coisas, assim como os cientistas e os filósofos. Mesmo que todos compreendessem o “Ser e o Tempo” ou o "Ser ou não ser", os filósofos obviamente deveriam estar além disso, pois é dele que viriam as novidades no âmbito da filosofia. Mesmo que todos compreendessem física quântica, os cientistas deveriam ter conhecimentos que o povo ainda não conhece, pois é deles que vêm as novidades. Da mesma fora são os artistas. Mesmo que toda a população fosse capaz de produzir obras maravilhosas, artistas seriam somente aqueles que fizessem obras ainda melhores, que fossem ainda mais originais, enfim que fugissem do trivial, mesmo que esse trivial fosse altamente elevado. Isso complicaria muito o trabalho de um artista, cientista ou filósofos. Mas no entanto suas produções seriam muito melhores.
O fato de a população não ter instrução não é a causa eficiente do artista, mas facilita seu trabalho. Por mais instruída que seja uma população, sempre haverá um pensamento padrão, e é disso que os artistas devem se distanciar.
Outro motivo de me acusarem de elitismo é o fato de defender que os artistas sejam pessoas altamente instruídas. Se defender isso é ser elitista, então eu o assumo. Mas se fosse assim, aqueles que me acusam também seriam elitistas, pois eles defendem que médicos e professores devem ser instruídos. Todos sabem um pouco sobre o mundo, mas isso não faz delas um professor. Todos sabem um ou dois remédios e sabem diagnosticar algumas doenças, mas isso não faz delas médicas. Da mesma forma, todos sabem escrever coisas bonitas, mas isso não faz delas poetas. É preciso uma longa educação e um treinamento para isso. A diferença é que para ser professor e/ou médico basta um diploma que é adquirido baseado nos méritos deles durante seu “treinamento”. Mas não existe diploma para certificar um poeta. Ele se faz nas suas obras. Ele precisa desta instrução para poder se elevar acima do pensamento comum, por mais alto que seja. Sem este estudo e este “treinamento” fica difícil tal feito – mas não digo impossível. Sem o conhecimento do que é trivial, ele não vai poder superar isso. Sem conhecer o que os outros artistas fizerem para fugir de tal pensamento, ele não vai encontrar o caminho certo. Por isso a instrução é importante. Nem todo mundo é médico, assim como não é todo mundo que é artista. Mas qualquer um pode ser médico se tiver a devida preparação, mas não há uma preparação específica para um artista. É elitista quem defende que médicos e professores devem ter uma preparação intelectual diferente das outras pessoas? Então por que é elitista dizer que artistas precisam de tal preparação?
Não é somente o artista quem busca fugir do trivial, buscar novos caminhos e formas de ver o mundo. Também o faz o filósofo e o cientista. Existem inúmeras diferenças entre os artistas e estes dois, mas a principal é a forma como eles expõem suas idéias. Filósofos e cientistas as expõem suas idéias com uma linguagem clara, direta e objetiva. Já os artistas o faz de modo simbólico, indireto, estético. Eles buscam uma fuga desta linguagem objetiva por ela ser trivial. O artista é quem mais se afasta desta realidade. Darwin, para falar da teoria da evolução, escreveu “A Origem das Espécies”. Os artistas escreveram romances naturalistas. Marx escreveu livros políticos/filosóficos para tratar das lutas de classes; Emile Zola escreveu “Germinal”. Schopenhauer falava de sofrimento e irracionalismo em suas obras; os expressionistas diziam o mesmo com suas cores. Os iluministas exaltavam a razão em seus livros filosóficos; Mozart celebrava o “século das luzes” com sua música. Nietzsche, em “Assim Falou Zaratustra”, utilizou narrativas e metáforas e vez da linguagem usual dos filósofos. Por conta disso, eu o considero este livro dentro do âmbito das artes e não da filosofia propriamente dita. A diferença básica é como essas idéias são tratadas. O artista as reveste com um conteúdo estético, o que muitas vezes torna difícil a apreensão destas idéias. Muitos dirão que não conseguem ver nenhuma idéia-profunda-que-se-distancia-do-trivial na música de Chopin, por exemplo. Mas ela está lá. O que acontece é que estas pessoas não estão preparadas para apreender estas idéias. É muito mais fácil captá-las dentro de um romance, pois é o que mais se aproxima da linguagem discursiva. Muitas vezes eu também não consigo apreender estas idéias dentro da música, justamente por esse distanciamento do “logos”, mas isso é decorrente de uma educação musical deficiente. A idéia profunda está lá, mas não podemos perceber por não termos conhecimento prévio para isso. Não é tão difícil notar a exaltação dos sentimentos em Beethoven e a fria precisão matemática de Mozart - pelo menos no começo da carreira. Toda obra de arte contém esta idéia profunda central. Às vezes não conseguimos apreendê-la, por isso precisamos adentrar o universo do autor e da “modalidade” artística que ele se utiliza, seja ela poesia, pintura, música, dança, etc.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Nota de falecimento

É com muita tristeza que comunicamos o falecimento de nossa amiga, Valdeli Freitas, ontem a noite na sala 602 A. Durante horário de aula, no núcleo Guararapes.
Valdeli Freitas - 5º período sala 602A > Pedagogia
O sepultamento será hoje às 16h no Parque das Flores.
Lamentamos sua partida e oramos a Deus para que ampare seus entes queridos.
Tatiana Waleska
domingo, 20 de dezembro de 2009
Educação Infantil

Considera-se como Educação infantil, o período de vida escolar em que se atende, pedagogicamente, crianças com idade entre 0 e 5anos e 11 meses (Brasil).
Na Educação Infantil as crianças são estimuladas através de atividades lúdicas e jogos, a exercitar suas capacidades motoras, fazer descobertas, e iniciar o processo de letramento.
Origem da Educação Infantil no mundo
O modo de lidar com as crianças na idade média era baseado em alguns costumes herdados da Antigüidade. O papel das crianças era definido pelo pai. Os direitos do pai no mundo grego que o pai, além de incluir total controle sobre o filho, incluía também de tirar-lhe a vida, caso o rejeitasse. No mundo germânico, além do poder do pai exercido no seio da família, existia o poder patriarcal, exercido pela dominação política e social. Nas sociedades antigas, o status da criança era nulo. Sua existência no meio social dependia totalmente da vontade do pai, podendo, no caso das deficientes e das meninas, ser mandadas para prostíbulos em lugar de serem mortas, em outros casos, (as pobres) eram abandonadas ou vendidas. Com a ascensão do cristianismo, o modo de lidar com as crianças mudou, apesar da mudança ter sido um processo lento.
Leia mais:
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/direitosfundamentais.pdf
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/indic_qualit_educ_infantil.pdf
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Gentileza que gera gentileza
O Profeta
A gentileza sempre nos soou como um sentimento leve, despojado e generoso. Assim também era José Datrino, o homem que renunciou à materialidade para se tornar o professor do amor, da compaixão e da beleza de espírito. Era ele o Profeta Gentileza.
José Datrino se tornou o Profeta Gentileza após a tragédia do Gran Circus Americano, em Niterói (RJ), em dezembro de 1961. Ele ofereceu consolo e solidariedade aos parentes das vítimas e, após isso, começou a andar pelo País espalhando sua pregação de desprendimento ao mundo material e valorização do sentimento gentil.
Entretanto, foi o Rio de Janeiro que recebeu as maiores contribuições de Gentileza. O homem de túnica branca, cabelos e barba longas, tão alvas quanto a pureza de sua alma, era visto freqüentemente na estação das Barcas, na Central do Brasil e na Rodoviária, locais de altíssima concentração de pessoas.
E foi no portão de entrada da cidade que Gentileza deixou o seu legado. Em 56 pilastras que sustentam o Elevado do Gasômetro, o Profeta eternizou sua mensagem de amor, respeito e crítica social.
Gentileza faleceria em 1996 em Mirandópolis (SP), sua cidade natal. Porém, a palavra e obra do Profeta ficam para sempre. É isto que a campanha Gentileza Gera Gentileza quer preservar. E, para isso, contamos com você!
Saiba mais sobre o Profeta Gentileza:
http://www.gentileza.net/
A gentileza sempre nos soou como um sentimento leve, despojado e generoso. Assim também era José Datrino, o homem que renunciou à materialidade para se tornar o professor do amor, da compaixão e da beleza de espírito. Era ele o Profeta Gentileza.
José Datrino se tornou o Profeta Gentileza após a tragédia do Gran Circus Americano, em Niterói (RJ), em dezembro de 1961. Ele ofereceu consolo e solidariedade aos parentes das vítimas e, após isso, começou a andar pelo País espalhando sua pregação de desprendimento ao mundo material e valorização do sentimento gentil.
Entretanto, foi o Rio de Janeiro que recebeu as maiores contribuições de Gentileza. O homem de túnica branca, cabelos e barba longas, tão alvas quanto a pureza de sua alma, era visto freqüentemente na estação das Barcas, na Central do Brasil e na Rodoviária, locais de altíssima concentração de pessoas.
E foi no portão de entrada da cidade que Gentileza deixou o seu legado. Em 56 pilastras que sustentam o Elevado do Gasômetro, o Profeta eternizou sua mensagem de amor, respeito e crítica social.
Gentileza faleceria em 1996 em Mirandópolis (SP), sua cidade natal. Porém, a palavra e obra do Profeta ficam para sempre. É isto que a campanha Gentileza Gera Gentileza quer preservar. E, para isso, contamos com você!
Saiba mais sobre o Profeta Gentileza:
http://www.gentileza.net/
terça-feira, 16 de junho de 2009
Cildo Meireles > Arte ऐ Educação
O artista que há 30 anos incendiou galinhas, escreveu “Yankees, go home” em garrafas de Coca-Cola, carimbou notas de um cruzeiro com a frase “Quem matou Herzog?” e depois se mandou para Nova York ganha uma exposição retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Trata-se de Cildo Meireles, carioca, 52 anos, o homem que com apenas um carimbo de borracha e uma nota de dinheiro cria uma obra.
Meireles sabia que em 1975 ninguém rasgaria dinheiro para extinguir a dúvida da real causa da morte do jornalista Wladimir Herzog. Oficialmente, ele teria se suicidado na cadeia. Mas é claro que o artista e boa parte dos brasileiros não acreditaram na história. Essa verdadeira ojeriza aos meios de circulação oficial, seja de informações ou de valores, sempre moveu a obra de Meireles. E a sua trajetória também.
Quando foi incluído no Olimpo da arte brasileira, em 1969, recebendo o primeiro prêmio do Salão da Bússula, no MAM-Rio, mudou-se para Nova York com o pretexto de iniciar uma carreira internacional. Fez uma exposição, mas logo depois Meireles fez questão de sumir. “Não fiz nenhum contato de trabalho lá, estava numa fase ‘rimbaudiana’. Comecei a trabalhar com um jamaicano numa fábrica de objetos de decoração”, diz.
Seis meses depois, o artista aproveitou a bicicleta com que passeava pela cidade para mudar de emprego. Virou entregador. “Gostava do que fazia.” O tempo livre ele preenchia com visitas ao MoMA. “Tinha uma carteirinha que me permitia entrar de graça no museu e dava 50% de desconto na livraria.”
Voltando ao Rio, em 1973, quis continuar fazendo a mesma coisa. “Mas o medo de morrer atropelado falou mais alto”, diz Meireles. Voltou aos desenhos e à pesquisa, acrescentando a uma obra já contundente novas formas de questionamento político. Em Zero Cruzeiro e Zero Dollar (1977), substituiu as efígies de heróis nacionais por índios e internos de instituições psiquiátricas. Os índios foram-lhe sempre “familiares”. O pai de Meireles era indigenista, razão pela qual morou no Pará até os 10 anos, antes de se mudar para Brasília.
O que se vê no MAM é uma seleção de obras feita originalmente para o New Museum of Contemporary Art de Nova York, merecedora de resenhas para lá de elogiosas nas revistas New Yorker e Time Out no começo do ano. É a maior retrospectiva dedicada a Meireles, que continua andando de bicicleta, agora em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.
Cildo Meireles nasceu no Rio de Janeiro, em 1948. Iniciou seu aprendizado em 1963, com o pintor peruano Félise Berranechea, em Brasília. Em 1966 efetuava a sua primeira individual de desenhos, no Museu de Arte Moderna da Bahia. Em 1969, participou (MAM/RJ) com obras experimentais e ritualísticas.
Durante a exposição do Corpo à Terra, organizada por Frederico de Morais, em Belo Horizonte, o artista efetuou uma queima de galinhas com realização estética. Viveu entre 1971 e 1973 em Nova Iorque. Expôs em 1973, em São Paulo, suas Inserções em Circuitos Ideológicos e Inserções em Circuitos Antropológicos.
Meireles sabia que em 1975 ninguém rasgaria dinheiro para extinguir a dúvida da real causa da morte do jornalista Wladimir Herzog. Oficialmente, ele teria se suicidado na cadeia. Mas é claro que o artista e boa parte dos brasileiros não acreditaram na história. Essa verdadeira ojeriza aos meios de circulação oficial, seja de informações ou de valores, sempre moveu a obra de Meireles. E a sua trajetória também.
Quando foi incluído no Olimpo da arte brasileira, em 1969, recebendo o primeiro prêmio do Salão da Bússula, no MAM-Rio, mudou-se para Nova York com o pretexto de iniciar uma carreira internacional. Fez uma exposição, mas logo depois Meireles fez questão de sumir. “Não fiz nenhum contato de trabalho lá, estava numa fase ‘rimbaudiana’. Comecei a trabalhar com um jamaicano numa fábrica de objetos de decoração”, diz.
Seis meses depois, o artista aproveitou a bicicleta com que passeava pela cidade para mudar de emprego. Virou entregador. “Gostava do que fazia.” O tempo livre ele preenchia com visitas ao MoMA. “Tinha uma carteirinha que me permitia entrar de graça no museu e dava 50% de desconto na livraria.”
Voltando ao Rio, em 1973, quis continuar fazendo a mesma coisa. “Mas o medo de morrer atropelado falou mais alto”, diz Meireles. Voltou aos desenhos e à pesquisa, acrescentando a uma obra já contundente novas formas de questionamento político. Em Zero Cruzeiro e Zero Dollar (1977), substituiu as efígies de heróis nacionais por índios e internos de instituições psiquiátricas. Os índios foram-lhe sempre “familiares”. O pai de Meireles era indigenista, razão pela qual morou no Pará até os 10 anos, antes de se mudar para Brasília.
Portanto, durante os anos 70 e 80 Cildo Meireles arquitetou uma série de trabalhos que faziam uma severa crítica à ditadura militar. Obras como Tiradentes: totem monumento ao preso político ou Introdução a uma nova crítica, que consiste em uma tenda sob a qual se encontra uma cadeira comum forrada com pontas de prego, são alguns trabalhos de cunho político do artista. Neles a questão política sempre vem acompanhada da investigação da linguagem. Inserções em circuito ideológico: Projeto Coca Cola, por exemplo, consistiu em escrever, sobre uma garrafa de Coca Cola, um dos símbolos mais eminentes do imperialismo norte-americano, a frase Yankees go home, para, posteriormente, devolvê-la à circulação. Além da questão política o projeto faz referência a toda problematização desenvolvida pelos movimentos de vanguarda e por Marcel Duchamp no início do século; uma espécie de ready made às avessas.
Cildo Meireles é um experimentalista e o seu dinamismo se passa no plano da criação verbal cotidiana.
Fonte:Revista ISTO É Gente
Meireles sabia que em 1975 ninguém rasgaria dinheiro para extinguir a dúvida da real causa da morte do jornalista Wladimir Herzog. Oficialmente, ele teria se suicidado na cadeia. Mas é claro que o artista e boa parte dos brasileiros não acreditaram na história. Essa verdadeira ojeriza aos meios de circulação oficial, seja de informações ou de valores, sempre moveu a obra de Meireles. E a sua trajetória também.
Quando foi incluído no Olimpo da arte brasileira, em 1969, recebendo o primeiro prêmio do Salão da Bússula, no MAM-Rio, mudou-se para Nova York com o pretexto de iniciar uma carreira internacional. Fez uma exposição, mas logo depois Meireles fez questão de sumir. “Não fiz nenhum contato de trabalho lá, estava numa fase ‘rimbaudiana’. Comecei a trabalhar com um jamaicano numa fábrica de objetos de decoração”, diz.
Seis meses depois, o artista aproveitou a bicicleta com que passeava pela cidade para mudar de emprego. Virou entregador. “Gostava do que fazia.” O tempo livre ele preenchia com visitas ao MoMA. “Tinha uma carteirinha que me permitia entrar de graça no museu e dava 50% de desconto na livraria.”
Voltando ao Rio, em 1973, quis continuar fazendo a mesma coisa. “Mas o medo de morrer atropelado falou mais alto”, diz Meireles. Voltou aos desenhos e à pesquisa, acrescentando a uma obra já contundente novas formas de questionamento político. Em Zero Cruzeiro e Zero Dollar (1977), substituiu as efígies de heróis nacionais por índios e internos de instituições psiquiátricas. Os índios foram-lhe sempre “familiares”. O pai de Meireles era indigenista, razão pela qual morou no Pará até os 10 anos, antes de se mudar para Brasília.
O que se vê no MAM é uma seleção de obras feita originalmente para o New Museum of Contemporary Art de Nova York, merecedora de resenhas para lá de elogiosas nas revistas New Yorker e Time Out no começo do ano. É a maior retrospectiva dedicada a Meireles, que continua andando de bicicleta, agora em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.
Cildo Meireles nasceu no Rio de Janeiro, em 1948. Iniciou seu aprendizado em 1963, com o pintor peruano Félise Berranechea, em Brasília. Em 1966 efetuava a sua primeira individual de desenhos, no Museu de Arte Moderna da Bahia. Em 1969, participou (MAM/RJ) com obras experimentais e ritualísticas.
Durante a exposição do Corpo à Terra, organizada por Frederico de Morais, em Belo Horizonte, o artista efetuou uma queima de galinhas com realização estética. Viveu entre 1971 e 1973 em Nova Iorque. Expôs em 1973, em São Paulo, suas Inserções em Circuitos Ideológicos e Inserções em Circuitos Antropológicos.
Meireles sabia que em 1975 ninguém rasgaria dinheiro para extinguir a dúvida da real causa da morte do jornalista Wladimir Herzog. Oficialmente, ele teria se suicidado na cadeia. Mas é claro que o artista e boa parte dos brasileiros não acreditaram na história. Essa verdadeira ojeriza aos meios de circulação oficial, seja de informações ou de valores, sempre moveu a obra de Meireles. E a sua trajetória também.
Quando foi incluído no Olimpo da arte brasileira, em 1969, recebendo o primeiro prêmio do Salão da Bússula, no MAM-Rio, mudou-se para Nova York com o pretexto de iniciar uma carreira internacional. Fez uma exposição, mas logo depois Meireles fez questão de sumir. “Não fiz nenhum contato de trabalho lá, estava numa fase ‘rimbaudiana’. Comecei a trabalhar com um jamaicano numa fábrica de objetos de decoração”, diz.
Seis meses depois, o artista aproveitou a bicicleta com que passeava pela cidade para mudar de emprego. Virou entregador. “Gostava do que fazia.” O tempo livre ele preenchia com visitas ao MoMA. “Tinha uma carteirinha que me permitia entrar de graça no museu e dava 50% de desconto na livraria.”
Voltando ao Rio, em 1973, quis continuar fazendo a mesma coisa. “Mas o medo de morrer atropelado falou mais alto”, diz Meireles. Voltou aos desenhos e à pesquisa, acrescentando a uma obra já contundente novas formas de questionamento político. Em Zero Cruzeiro e Zero Dollar (1977), substituiu as efígies de heróis nacionais por índios e internos de instituições psiquiátricas. Os índios foram-lhe sempre “familiares”. O pai de Meireles era indigenista, razão pela qual morou no Pará até os 10 anos, antes de se mudar para Brasília.
Portanto, durante os anos 70 e 80 Cildo Meireles arquitetou uma série de trabalhos que faziam uma severa crítica à ditadura militar. Obras como Tiradentes: totem monumento ao preso político ou Introdução a uma nova crítica, que consiste em uma tenda sob a qual se encontra uma cadeira comum forrada com pontas de prego, são alguns trabalhos de cunho político do artista. Neles a questão política sempre vem acompanhada da investigação da linguagem. Inserções em circuito ideológico: Projeto Coca Cola, por exemplo, consistiu em escrever, sobre uma garrafa de Coca Cola, um dos símbolos mais eminentes do imperialismo norte-americano, a frase Yankees go home, para, posteriormente, devolvê-la à circulação. Além da questão política o projeto faz referência a toda problematização desenvolvida pelos movimentos de vanguarda e por Marcel Duchamp no início do século; uma espécie de ready made às avessas.
Cildo Meireles é um experimentalista e o seu dinamismo se passa no plano da criação verbal cotidiana.
Fonte:Revista ISTO É Gente
domingo, 7 de junho de 2009
A segunda abolição por Cristovam Buarque

"A erradicação da pobreza é o primeiro dos desafios de nossa geração, como há 100 anos atrás, uma outra geração aboliu a escravidão e proclamou a Repùblica."
Cristovan Buarque em seu livro “A Segunda Abolição” fez uma maciça critica sobre a “qualidade” de vida da sociedade brasileira de como vemos e levamos esta nação marcada pelas diferenças. O que me levou a uma profunda analise, sendo fisgada pelas suas palavras de pedido de socorro o que me fez fazer das suas palavras as minhas, porém com minhas interpretações.
Passados todos estes anos, nós, juntos, não fizemos o Brasil melhor e agravamos o quadro de pobreza, nos fizemos mais desiguais, menos soberanos, mais estagnados, mais descontentes. Não completamos nossa democracia, não erradicamos a pobreza, pioramos a qualidade de vida, agravamos nossa pouca soberania; não estamos crescendo economicamente e fomos ridículos defensores do que há de menos humanistas nos foros internacionais em busca de um novo modelo civilizatório.
Nos últimos anos entregamos à integração mundial ingressando na globalização sem proteger nossa soberania, sem manter os valores fundamentais de nossa identidade. Neste século, e durante o período em que nossa geração foi responsável pela escolha dos presidentes, continuamos construindo um desenvolvimento desigual que aumenta, ao mesmo tempo a riqueza de alguns e a pobreza de muitos.
O Brasil hoje é campeão mundial de desigualdade pela renda, pela religião, pela falta de educação, de sobra de doenças endêmicas, de abandono de nossas crianças, e violência de jovens infratores, de adultos pobres lutando pela sobrevivência e de muitas cidades dominadas pelo medo e pelo caos.
A erradicação da pobreza é o primeiro dos desafios de nossa geração, como há 100 anos atrás, uma outra geração aboliu a escravidão e proclamou a República. E deixou tudo o mais para que gerações futuras fizessem e não o fizemos. Gerações depois de gerações, o Brasil carregou decisões equivocadas a serviço das elites distantes do povo.
Não pretendendo abordar uma nova construção de uma nova nação brasileira, apenas de como erradicar a pobreza que é a imediata exigência ética. A cada momento da história do país, surge um novo tipo de divisão inviabilizando a construção de uma nação de compatriotas incluindo no mesmo projeto de desenvolvimento, onde a elite jamais considerou nosso povo parte do mesmo conjunto de uma família nacional.
Neste século, o crescimento econômico concentrado para alguns já transformou a desigualdade em uma diferença como no começo entre portugueses e índios e entre os senhores e escravos, a diferença virou dessemelhança.
A erradicação da pobreza, exige um projeto de incorporação das grandes massas brasileiras nos benefícios de nosso potencial e nossa economia. O Brasil, desde seu primeiro momento preferiu importar as próprias necessidades. A luta pela pobreza tem que ser feita pela ótica social e não na ótica econômica.
Sem dúvida nós a MASSA devemos tomar o controle, mas precisamos nos unir para que isso aconteça.
No inicio da leitura podemos sentir um frio na barriga, e nos perguntar: É é esso o pais que chamamos de pátria?
Parece mais o retrato de um doente terminal, e é isso mesmo que temos. Um pais doente, doença transmitida por políticos viciados, utilizando-se de seus mandatos para exterminar de vez com nossa soberania. Devemos assumir o controle e comandar essa EMERGÊNCIA, cuidar desse doente pois é nossa a responsabilidade.
O nó na garganta é inevitável, mas devemos aprender a agir e não reagir. Nosso voto é nossa maior arma para mudar esse cenário de UTI.
Tatiana Waleska
Fonte:
http://falandonalata.wordpress.com
http://www.cristovam.com.br/
http://www.cristovam.org.br/
domingo, 17 de maio de 2009
Educação Urbana
Bons modos para a vida citadina

Faça você este teste. Experimente parar em um lugar qualquer na sua cidade e observar nos 360 graus ao seu redor como as coisas funcionam. Por alguns minutos. E pense em tudo que você já ouviu falar sobre cidades sustentáveis, aquelas que impactam pouco o meio ambiente e melhoram a qualidade da sua vida. Se achar que este tipo de lugar existe no Brasil, o leitor está convidado a expor esta experiência aqui em nossas páginas, com muito prazer.
Até colocar os pés na cidadezinha inglesa de Cambridge eu achava que lugares assim não existissem. Mas minha percepção mudou nas primeiras duas semanas de deslumbramento, em que tudo parecia perfeito demais para ser verdade. E não era. Ainda que aparências enganem e aos poucos as imperfeições daqui também se revelem, cidades como esta ensinam, nesses breves minutos de observação, que se um dia sustentabilidade se confundisse com civilidade metade dos nossos problemas estariam resolvidos.
Na famosa cidade universitária, que nesta primavera experimenta longas semanas ensolaradas como raramente se viu, muita gente corre para os gramados e jardins para aproveitar o calor do dia, claro até oito e meia da noite. No asfalto, turistas de todas as partes do mundo dividem espaço para fotografar os prédios históricos. Mas se você fechar os olhos, vai escutar pouco ou quase nada. Ou apenas o barulho dos sapatos dos transeuntes. O silêncio, tão exigido nas mais de cem bibliotecas desta cidade de 120 mil habitantes, é costumeiro também em lugares abertos. É difícil encontrar alguém falando alto. E a vontade de dar um grito para quebrar a monotonia às vezes é latente. A exceção é encontrar nas esquinas algum artista tocando sua música no violão, na guitarra ou no violino em ritmos pacíficos e fazendo o movimento parar por alguns instantes. Na verdade, os sons mais comuns em Cambridge, pelo menos nesta época do ano, são dos cortadores de grama e dos sinos que badalam a cada hora.
Não há rua que não tenha sinalização. Os semáforos contam com avisos sonoros acionáveis pelos pedestres e todas as esquinas têm rampas para permitir a circulação segura de quem precisa ou não de cuidados especiais. Ciclistas são tão ou mais importantes dos que veículos motores. Eles têm estacionamento próprio em praticamente todos os prédios da cidade, e precisam seguir o fluxo do trânsito (inclusive parando quando o sinal fecha), junto aos ônibus e carros, indicando com os braços se querem virar em alguma rua. Capacetes, luzes nas bicicletas e faixas florescentes amarradas aos tornozelos ajudam os ciclistas a serem vistos nas principais vias. Filas duplas de carros na entrada e na saída de colégios são algo que não se encontra. Em vez disso, dezenas de pais acompanham em suas magrelas o pedalar de seus filhos a caminho da escola. O comportamento sobre o selim é tão disciplinado que parecem deter carta de habilitação.

Lições de organização
Lixo espalhado pelas ruas também é muitíssimo raro. Quando vi uma latinha jogada ao meio fio outro dia, a cena não durou mais do que alguns segundos. Foi até um funcionário do serviço de limpeza urbana recolher o objeto, usando, além de luvas e roupa apropriada, um longo e pontiagudo bastão para que o contato dele com o lixo fosse o menor possível. Devem ter errado a pontaria, porque basta olhar ao redor para encontrar, sem muita dificuldade, a lata de lixo mais próxima, seja apenas para descarte de plástico, latas ou material úmido. Como por aqui tudo é completamente verificável pela internet, prefeitura mantém em seu site mapas com a localização exata de cada lixeira, dias e horas em que a coleta é feita, tudo nos mínimos detalhes.
A coleta seletiva para reciclagem por aqui tem 27 anos e começou com vidro. Em 1995 outros tipos de papéis passaram a ser reaproveitados e latas de alumínio a partir de 2001. Hoje, a coleta seletiva inclui pilhas, baterias de celulares, computadores e outros aparelhos. Lidar com esse tipo de descarte ainda é um enorme desafio para o Reino Unido, que joga fora cerca de 600 milhões de baterias todos os anos. Enquanto 90% das baterias de automóveis são recicladas, a porcentagem cai para 4% nos demais casos.
Segundo Victoria Kelson, que trabalha no departamento de reciclagem da prefeitura, a quantidade de material reaproveitado cresceu de 9.3% em 1999 para cerca de 40% em 2006. Cambridge produz diariamente 124 toneladas de lixo doméstico e desse montante consegue hoje reciclar 52 toneladas. Apesar disso, o incremento anual tem sido de apenas 1% nos últimos tempos, o que inspirou a administração de Cambridge a instalar, a partir de outubro de 2009, novos tipos de latas, com rodinhas e divisórias coloridas, para que a população se sinta ainda mais incentivada a separar o lixo de casa e o que encontra na rua. A meta é reciclar 50% do lixo local até 2015.
Nas lojas e mercados, você só leva sacolinhas plásticas se pedir. A primeira reação dos vendedores é perguntar se você tem sua “eco-sacola”. E se não tiver, pode comprar em qualquer lugar. O paradoxo neste caso é observar que, enquanto existe um claro movimento para reduzir as sacolas plásticas, muita coisa continua sendo exageradamente embalada com o mesmo plástico nas prateleiras, seja para empacotar frutas em pedaços, comidas semi-prontas, doces ou biscoitos, um a um. Kelson assegura, no entanto, que em nível nacional tem havido um esforço para incentivar que os mercados reduzam o uso de embalagens, economizando recursos naturais e obviamente dinheiro do próprio estabelecimento. “Existem novas tecnologias que permitem fazer garrafas de vidro muito mais finas, mas com a mesma resistência. Eu tenho visto progressos nesse sentido”, considera a porta-voz do departamento de reciclagem de Cambridge.

Ar limpo e monitorado
Medidores de qualidade do ar estão espalhados pela cidade e avaliam diariamente a quantidade de dióxido de nitrogênio, monóxido de carbono e ozônio, servindo para orientar estacionamento de carros ou circulação de ônibus. Fazer este tipo de controle em cidades inglesas não é novidade desde 1956, quando mais de quarto mil pessoas morreram de infecções respiratórias em Londres por causa da densa fumaça de uma usina de carvão. Instruções e recomendações para que os moradores de Cambridge deixem de queimar lixo e adotem comportamentos cada vez menos impactantes estão descritos no site ou em dezenas de encartes distribuídos pela cidade.
Desde setembro do ano passado, Cambridge começou a implementar ações específicas para lidar com os efeitos do aquecimento global, seguindo as orientações estabelecidas para todo o Reino Unido. Ousados como as metas nacionais, os objetivos de Cambridge devem ser atingidos a partir do ano base de 2005, quando em média cada habitante era responsável por uma emissão de carbono da ordem de 6.2 toneladas. Agora, a cidade pretende reduzir as emissões em 11% até 2010, 23% até 2020, 65% até 2030 e 89% até 2050.
O reconhecimento de que não apenas Cambridge, mas as outras cidades do Reino Unido têm sim se esforçado para reduzir seu impacto no planeta é quase uma obviedade. No entanto, quem estuda em detalhes o assunto costuma dizer que até agora apenas o que era simples foi feito. Faltam as grandes mudanças, como redução dos níveis de consumo e descarte, melhoramentos ainda maiores no transporte público e incentivo em larga escala para que, por exemplo, o aquecimento das residências dependa cada vez menos de combustível importado de países como a Rússia, que nos últimos tempos tem mostrado sinais de esgotamento. Em vez disso, aproveitar a existência de regras locais muito rígidas para construção civil e fomentar a instalação de placas solares para esquentar água e produzir energia nas casas, conforme sugere Lynn Dicks, do
Centro de Mitigação às Mudanças Climáticas de Cambridge
Bastam apenas poucos anos para que o mundo comece a verificar o cumprimento das metas prometidas para não deixar que o planeta esquente mais do que dois graus Celsius até o fim do século. No entanto, como muitas cidades pelo mundo estão provando, pequenas mudanças já têm viabilidade econômica, e teriam muito mais se a conversão do modelo de desenvolvimento viesse em grande escala, como defendem pesquisadores do centro de mitigação. Começar pelo respeito às regras de convivência nas cidades não seria nada mal.

Faça você este teste. Experimente parar em um lugar qualquer na sua cidade e observar nos 360 graus ao seu redor como as coisas funcionam. Por alguns minutos. E pense em tudo que você já ouviu falar sobre cidades sustentáveis, aquelas que impactam pouco o meio ambiente e melhoram a qualidade da sua vida. Se achar que este tipo de lugar existe no Brasil, o leitor está convidado a expor esta experiência aqui em nossas páginas, com muito prazer.
Até colocar os pés na cidadezinha inglesa de Cambridge eu achava que lugares assim não existissem. Mas minha percepção mudou nas primeiras duas semanas de deslumbramento, em que tudo parecia perfeito demais para ser verdade. E não era. Ainda que aparências enganem e aos poucos as imperfeições daqui também se revelem, cidades como esta ensinam, nesses breves minutos de observação, que se um dia sustentabilidade se confundisse com civilidade metade dos nossos problemas estariam resolvidos.
Na famosa cidade universitária, que nesta primavera experimenta longas semanas ensolaradas como raramente se viu, muita gente corre para os gramados e jardins para aproveitar o calor do dia, claro até oito e meia da noite. No asfalto, turistas de todas as partes do mundo dividem espaço para fotografar os prédios históricos. Mas se você fechar os olhos, vai escutar pouco ou quase nada. Ou apenas o barulho dos sapatos dos transeuntes. O silêncio, tão exigido nas mais de cem bibliotecas desta cidade de 120 mil habitantes, é costumeiro também em lugares abertos. É difícil encontrar alguém falando alto. E a vontade de dar um grito para quebrar a monotonia às vezes é latente. A exceção é encontrar nas esquinas algum artista tocando sua música no violão, na guitarra ou no violino em ritmos pacíficos e fazendo o movimento parar por alguns instantes. Na verdade, os sons mais comuns em Cambridge, pelo menos nesta época do ano, são dos cortadores de grama e dos sinos que badalam a cada hora.
Não há rua que não tenha sinalização. Os semáforos contam com avisos sonoros acionáveis pelos pedestres e todas as esquinas têm rampas para permitir a circulação segura de quem precisa ou não de cuidados especiais. Ciclistas são tão ou mais importantes dos que veículos motores. Eles têm estacionamento próprio em praticamente todos os prédios da cidade, e precisam seguir o fluxo do trânsito (inclusive parando quando o sinal fecha), junto aos ônibus e carros, indicando com os braços se querem virar em alguma rua. Capacetes, luzes nas bicicletas e faixas florescentes amarradas aos tornozelos ajudam os ciclistas a serem vistos nas principais vias. Filas duplas de carros na entrada e na saída de colégios são algo que não se encontra. Em vez disso, dezenas de pais acompanham em suas magrelas o pedalar de seus filhos a caminho da escola. O comportamento sobre o selim é tão disciplinado que parecem deter carta de habilitação.

Lições de organização
Lixo espalhado pelas ruas também é muitíssimo raro. Quando vi uma latinha jogada ao meio fio outro dia, a cena não durou mais do que alguns segundos. Foi até um funcionário do serviço de limpeza urbana recolher o objeto, usando, além de luvas e roupa apropriada, um longo e pontiagudo bastão para que o contato dele com o lixo fosse o menor possível. Devem ter errado a pontaria, porque basta olhar ao redor para encontrar, sem muita dificuldade, a lata de lixo mais próxima, seja apenas para descarte de plástico, latas ou material úmido. Como por aqui tudo é completamente verificável pela internet, prefeitura mantém em seu site mapas com a localização exata de cada lixeira, dias e horas em que a coleta é feita, tudo nos mínimos detalhes.
A coleta seletiva para reciclagem por aqui tem 27 anos e começou com vidro. Em 1995 outros tipos de papéis passaram a ser reaproveitados e latas de alumínio a partir de 2001. Hoje, a coleta seletiva inclui pilhas, baterias de celulares, computadores e outros aparelhos. Lidar com esse tipo de descarte ainda é um enorme desafio para o Reino Unido, que joga fora cerca de 600 milhões de baterias todos os anos. Enquanto 90% das baterias de automóveis são recicladas, a porcentagem cai para 4% nos demais casos.
Segundo Victoria Kelson, que trabalha no departamento de reciclagem da prefeitura, a quantidade de material reaproveitado cresceu de 9.3% em 1999 para cerca de 40% em 2006. Cambridge produz diariamente 124 toneladas de lixo doméstico e desse montante consegue hoje reciclar 52 toneladas. Apesar disso, o incremento anual tem sido de apenas 1% nos últimos tempos, o que inspirou a administração de Cambridge a instalar, a partir de outubro de 2009, novos tipos de latas, com rodinhas e divisórias coloridas, para que a população se sinta ainda mais incentivada a separar o lixo de casa e o que encontra na rua. A meta é reciclar 50% do lixo local até 2015.
Nas lojas e mercados, você só leva sacolinhas plásticas se pedir. A primeira reação dos vendedores é perguntar se você tem sua “eco-sacola”. E se não tiver, pode comprar em qualquer lugar. O paradoxo neste caso é observar que, enquanto existe um claro movimento para reduzir as sacolas plásticas, muita coisa continua sendo exageradamente embalada com o mesmo plástico nas prateleiras, seja para empacotar frutas em pedaços, comidas semi-prontas, doces ou biscoitos, um a um. Kelson assegura, no entanto, que em nível nacional tem havido um esforço para incentivar que os mercados reduzam o uso de embalagens, economizando recursos naturais e obviamente dinheiro do próprio estabelecimento. “Existem novas tecnologias que permitem fazer garrafas de vidro muito mais finas, mas com a mesma resistência. Eu tenho visto progressos nesse sentido”, considera a porta-voz do departamento de reciclagem de Cambridge.

Ar limpo e monitorado
Medidores de qualidade do ar estão espalhados pela cidade e avaliam diariamente a quantidade de dióxido de nitrogênio, monóxido de carbono e ozônio, servindo para orientar estacionamento de carros ou circulação de ônibus. Fazer este tipo de controle em cidades inglesas não é novidade desde 1956, quando mais de quarto mil pessoas morreram de infecções respiratórias em Londres por causa da densa fumaça de uma usina de carvão. Instruções e recomendações para que os moradores de Cambridge deixem de queimar lixo e adotem comportamentos cada vez menos impactantes estão descritos no site ou em dezenas de encartes distribuídos pela cidade.
Desde setembro do ano passado, Cambridge começou a implementar ações específicas para lidar com os efeitos do aquecimento global, seguindo as orientações estabelecidas para todo o Reino Unido. Ousados como as metas nacionais, os objetivos de Cambridge devem ser atingidos a partir do ano base de 2005, quando em média cada habitante era responsável por uma emissão de carbono da ordem de 6.2 toneladas. Agora, a cidade pretende reduzir as emissões em 11% até 2010, 23% até 2020, 65% até 2030 e 89% até 2050.
O reconhecimento de que não apenas Cambridge, mas as outras cidades do Reino Unido têm sim se esforçado para reduzir seu impacto no planeta é quase uma obviedade. No entanto, quem estuda em detalhes o assunto costuma dizer que até agora apenas o que era simples foi feito. Faltam as grandes mudanças, como redução dos níveis de consumo e descarte, melhoramentos ainda maiores no transporte público e incentivo em larga escala para que, por exemplo, o aquecimento das residências dependa cada vez menos de combustível importado de países como a Rússia, que nos últimos tempos tem mostrado sinais de esgotamento. Em vez disso, aproveitar a existência de regras locais muito rígidas para construção civil e fomentar a instalação de placas solares para esquentar água e produzir energia nas casas, conforme sugere Lynn Dicks, do
Centro de Mitigação às Mudanças Climáticas de Cambridge
Bastam apenas poucos anos para que o mundo comece a verificar o cumprimento das metas prometidas para não deixar que o planeta esquente mais do que dois graus Celsius até o fim do século. No entanto, como muitas cidades pelo mundo estão provando, pequenas mudanças já têm viabilidade econômica, e teriam muito mais se a conversão do modelo de desenvolvimento viesse em grande escala, como defendem pesquisadores do centro de mitigação. Começar pelo respeito às regras de convivência nas cidades não seria nada mal.
domingo, 10 de maio de 2009
Transumanismo

Transumanismo (às vezes simbolizado por >H ou H+) é uma filosofia emergente que analisa e incentiva o uso da ciência e da tecnologia, especialmente da biotecnologia, da neurotecnologia e da nanotecnologia, para superar as limitações humanas, e, assim, poder melhorar a própria condição humana.
O termo transumanismo foi criado pelo biólogo Julian Huxley em 1957, que o definiu como a doutrina do "homem continuando homem, mas transcendendo, ao perceber novas possibilidades de e para sua natureza humana". Essa definição, conquanto historicamente originária, não é a mais usada, que dela difere significantemente.
Em 1966, FM-2030 (antes F.M. Esfandiary), um futurista estadunidense da New School University, começou a identificar como "transumano" (uma referência a "humano transitório") — seriam pessoas que adaptavam tecnologias, estilos de vida, e visões de mundo transicionais à uma pós-humanidade.
A caracterização atual do termo, porém, deve-se-a a Max More. Em suas palavras, "O transumanismo é a classe de filosofias que buscam nos guiar a uma condição pós-humana. Ele inclui muitos elementos do humanismo, como o respeito pela razão e pela ciência, o compromisso pelo progresso, e a valorização da existência humana (ou transumana) na vida[…], mas difere no reconhecimento e na antecipação de alterações radicais na natureza e nas possibilidades de nossas vidas, resultando de várias ciências e tecnologias[…]."
Anders Sandberg descreve o transumanismo moderno como "a filosofia que diz que podemos e devemos nos desenvolver a níveis maiores, seja fisicamente, mentalmente ou socialmente, usando métodos racionais", enquanto Robin Hanson o descreve como "a idéia de que, de vários modos, nossos descendentes não irão ser considerados 'humanos'."
À falta de uma definição oficial da ciência Neurotecnologia que nos pareça completa, decidimos aventurar-nos na busca de uma satisfatória. Para começar, temos de incluir os termos Sistema Nervoso Central, com especial destaque para o Cérebro. Não podemos partir do princípio que é limitada ao ser humano, tanto que alguma da mais interessante investigação foi, e continuará a ser, realizada em ratos. Temos que contar, também, que visa, não só a monitorização dos processos cerebrais, mas também a possibilidade da intervenção activa no seu funcionamento. Para terminar, teremos atenção à morfologia da palavra.
Assim, podemos definir Neurotecnologia como a ciência que permite realizar um controlo activo e proactivo da actividade do Sistema Nervoso Central (doravante denominado SNC), em especial do Cérebro, e que permite a sua estimulação controlada ou recepção de informação com o objectivo de lidar com patologias, interagir com objectos externos ou o aumento das suas capacidades naturais.
É relevante referir que grande parte da chamada Biotecnologia Vermelha (que, por definição, é a parte da biotecnologia que lida com os processos médicos) ou, pelo menos, toda aquela que lida directa ou indirectamente com o SNC pode ser, também, catalogada como Neurotecnologia.
Mostra-se também relevante referir, rapidamente, que a diferença entre metodologias invasivas e não-invasivas se prende com o facto de existir um objecto, independentemente de qual seja, a realizar um interacção directa com o Organismo ou, respectivamente, não, quer seja o caso de uma seringa, um tubo ou um chip.
Biotecnologia é tecnologia baseada na biologia, especialmente quando usada na agricultura, ciência dos alimentos e medicina. A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU possui uma das muitas definições de biotecnologia:
"Biotecnologia define-se pelo uso de conhecimentos sobre os processos biológicos e sobre as propriedades dos seres vivos, com o fim de resolver problemas e criar produtos de utilidade."
A definição ampla de biotecnologia é o uso de organismos vivos ou parte deles, para a produção de bens e serviços. Nesta definição se enquadram um conjunto de atividades que o homem vem desenvolvendo há milhares de anos, como a produção de alimentos fermentados (pão, vinho, iogurte, cerveja, e outros). Por outro lado a biotecnologia moderna se considera aquela que faz uso da informação genética, incorporando técnicas de DNA recombinante.
A biotecnologia combina disciplinas tais como genética, biologia molecular, bioquímica, embriologia e biologia celular, com a engenharia química, tecnologia da informação, robótica, bioética e o biodireito, entre outras.
Antes dos anos 1970, o termo biotecnologia era utilizado principalmente na indústria de processamento de alimentos e na agroindústria. A partir daquela época, começou a ser usado por instituições científicas do Ocidente em referência a técnicas de laboratório desenvolvidas em pesquisa biológica, tais como processos de DNA recombinante ou cultura de tecidos. Realmente, o termo deveria ser empregado num sentido muito mais amplo para descrever uma completa gama de métodos, tanto antigos quanto modernos, usados para manipular organismos visando atender às exigências humanas. Assim, o termo pode também ser definido como, "a aplicação de conhecimento nativo e/ou científico para o gerenciamento de (partes de) microorganismos, ou de células e tecidos de organismos superiores, de forma que estes forneçam bens e serviços para uso dos seres humanos.
Há muita discussão - e dinheiro - investidos em biotecnologia, com a esperança de que surjam drogas milagrosas. Embora tenham sido produzidas uma pequena quantidade de drogas eficazes, no geral, a revolução biotecnológica ainda não aconteceu na indústria farmacêutica. Todavia, progressos recentes com drogas baseadas em anticorpos monoclonais, tais como o Avastin da Genentech, sugerem que a biotecnologia pode finalmente ter encontrado um papel a desempenhar nas vendas farmacêuticas.
A Neurotecnologia é uma das partes componentes do hot-topic actual NBIC, que é uma referência a Nanociência, Biotecnologia, Tecnologias da Informação e Ciências Cognitivas, e é todo o conjunto de ciências cuja convergência temporal é indissociável do avanço científico de qualquer um destes temas.
A nanotecnologia está associada a diversas áreas (como a medicina, eletrônica, ciência da computação, física, química, biologia e engenharia dos materiais) de pesquisa e produção na escala nano (escala atômica). O princípio básico da nanotecnologia é a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos (os tijolos básicos da natureza). É uma área promissora, mas que dá apenas seus primeiros passos, mostrando, contudo, resultados surpreendentes (na produção de semicondutores, Nanocompósitos, Biomateriais, Chips, entre outros). Criada no Japão, a nanotecnologia busca inovar invenções, aprimorando-as e proporcionando uma melhor vida ao homem. Um dos instrumentos utilizados para exploração de materiais nessa escala é o microscópio eletrônico de varredura, o MEV.
O objetivo principal não é chegar em um controle preciso e individual dos átomos.
Fonte
http://transhumanismo.blogs.sapo.pt/1415.html
sexta-feira, 8 de maio de 2009
A VIDA NA ESCOLA E A ESCOLA DA VIDA

O livro “A Vida na Escola e a Escola da Vida” de Claudius Ceccon, Miguel Darcy de Oliveira & Rosiska Darcy de Oliveira já passou a tempos da sua 30ª edição e mesmo assim, continua cada vez mais atual... (infelizmente).
As escolas geralmente, não levam em consideração as diferenças culturais, dos alunos. Os alunos que vêem de classe média têm mais condições de saírem bem na escola, pois elas têm acesso a livros, revistas, internet, viajam sempre com suas famílias, conhecem muitos lugares.
Com isso esses alunos conseguem dispor de um conhecimento e vocabulário um amplo, o que torna fácil eles construírem um alicerce bem estruturado que irá lhe ajudar em sua vida futura.
Enquanto os alunos vindos de classes menos privilegiados, infelizmente não tem a mesma sorte. Pois quando chegam à escola já estão cansados, por que muitas já trabalharam muito naquele dia. Os deveres de casa, que a professora passou, trazem para a escola sem ser completados, por quê não tiveram tempo para faze-lo. Mesmo que sobre um tempinho seus familiares não conseguem auxiliar em sua tarefa, pois os pais muitas vezes não sabem ler. Até o próprio vocabulário que o aluno fala em sala não é aceito, que é o que ele aprendeu em seu lar, ele é criticado, corrigido pelo professor na frente de seus colegas, que geralmente riem dele, colocando apelidos.
Como isso o aluno acaba se calando, ficando mudo num canto da sala de aula sem participar, com medo com vergonha de ser criticado, por seus colegas, e até se tornar o palhaço da turma, então ele se cala.
O professor muito estudado, conhecer de um vasto conhecimento sobre vários assuntos, utiliza maneiras de falar que alguns os alunos não conseguem entender, por mais que o aluno se esforce eles acabam se sentido frustrados e decepcionados.
A escola poderia trabalhar de maneira que aproveitasse o conhecimento que esse aluno traz, de vida familiar e de seu trabalho, para enriquecer e estimular cada vez mais o interesse do aluno pela escola. O que o aluno traz de seu aprendizado da escola vida, não é levando em conta, não é aproveitado, é visto por todos como algo sem importância sem valor, e cada vez mais ele vem se sentido diminuído desprezado sem auto-estima.
A escola é sinônimo de ascensão social, mas geralmente só consegue um bom padrão de vida, os filhos da classe média, os menos privilegiados, muitas vezes precisam abandonar os estudos para trabalhar em tempo integral para ajudar a sua família.
A escola é um lugar que poderia ser algo que nos possibilitasse a voar, para um horizonte melhor é mais amplo, mas é preciso que a escola saiba atender as diferenças sociais individuais respeitando as raízes de cada aluno, pois temos muitos indivíduos que têm um grande potencial, basta a escola saber inserir e aproveitar essas diferenças.
Para que cada indivíduo, possa ter verdadeiramente uma chance, para que ele possa ter um concorrência honesta, na escalada pelas disputas de vagas na universidade e depois no mercado de trabalho. E não algo lindo e maravilho só no papel, mas de uma realidade concreta e justa. Precisamos lutar para que as escolas não sejam gaiolas. Porque as gaiolas nos impedem de voar em busca de nossos sonhos.
Os autores foram capazes de levantar com uma linguagem acessível e de forte apelo visual (o livro é totalmente ilustrado) situações diversas que estimulam a reflexão, levam à discussão e mostram que a educação brasileira necessita mudar com urgência, preocupando-se com a formação de cidadãos críticos e conscientes de seu papel na sociedade.
É uma leitura indispensável para as mais diversas áreas, afinal, para chegarmos ao Ensino Superior, passamos todos necessariamente pela Educação Básica.
FONTE
http://www.estantevirtual.com.br
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Ministro prevê inclusão do Brasil entre os dez maiores do planeta

O Brasil subiu mais dois degraus no ranking da produção científica mundial, ao passar da 15ª para a 13ª colocação, superando Holanda e Rússia. Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, se o país mantiver o ritmo, em pouco tempo estará entre os dez maiores produtores de conhecimento científico do mundo.
Entre 2007 e 2008, a produção científica brasileira aumentou 56%. “O indicador mostra o esforço nacional e o vigor das universidades federais”, disse Haddad nesta quarta-feira, dia 6, na abertura da reunião do Conselho Técnico-Científico da Educação Básica (CTC) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O ministro destacou, entre os fatores que contribuem para esse crescimento, o aumento no orçamento das universidades federais desde 2005. Nesse período, também cresceu o número de professores com doutorado — mais dez mil foram selecionados por concurso público. Até 2010, 17 mil novos doutores vão lecionar nas universidades. “Os jovens doutores têm disposição de fazer diferença nos lugares mais longínquos do país. Por isso, os municípios do interior, agora, são produtores de ciência”, afirmou Haddad. Segundo ele, isso só é possível pela atual capilaridade da rede federal de ensino, que também tem por finalidade a formação de professores da educação básica.
Ciência — Em 2008, o número de artigos científicos publicados no Brasil foi de 30.451, em comparação com os 19.436 publicados em 2007. Com esse aumento, o Brasil passa a contribuir com 2,12% dos artigos de todos os 183 países. Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e Inglaterra são os cinco primeiros colocados no ranking da produção científica, seguidos de França, Canadá, Itália, Espanha, Índia, Austrália e Coréia do Sul.
Formação — Sobre a questão da formação do magistério, o ministro ressaltou a mudança na atuação da Capes, que passou a ser responsável por essa área e instituiu a política nacional de formação de professores. A perspectiva é de atendimento imediato a cerca de 300 mil docentes, com prioridade para a formação inicial. Em torno de 90 instituições de educação superior participam da ação e 21 estados já elaboraram planos estratégicos.
“Assim como todo aluno da educação básica deve ter direito a estudar numa escola pública, todo professor tem o direito de se matricular numa universidade pública”, enfatizou Haddad. Na visão do ministro, o professor também precisa ter garantia de permanência na profissão. Ou seja, saber que tem um piso salarial, um plano de carreira e perspectiva de formação continuada.
Nas palavras de Haddad, isso implica quebrar tabus sobre o magistério e trabalhar o imaginário do professor. “Falamos a mesma coisa sobre a carreira de que falávamos há 20 anos. Algumas ainda são verdade, mas outras não são mais. Para solucionar as que são verdade, devemos dialogar com a sociedade e pensar sobre o que deve ser mudado”, destacou.
FONTE
http://portal.mec.gov.br
Educação: 40 Lições da Sala de Aula

O professor Celso Antunes é um dos mais requisitados palestrantes brasileiros. Suas falas iluminam mentes e mestres por todo o país. Seus temas são tão variados como:
"As inteligências múltiplas e seus estímulos",
"Disciplina e indisciplina em sala de aula",
"Estratégias para substituir aulas expositivas" e
"Como desenvolver competências em sala de aula",
Entre outros, todos voltados para o aperfeiçoamento de professores, dando-lhes subsídios para melhor desenvolver suas atividades pedagógicas.

E são exatamente todos estes assuntos que estão presentes em Educação: 40 lições da sala de aula. Com uma distinção muito especial: cada um deles é abordado a partir de exemplos concretos, de histórias e personagens que, se não são reais, parecem ser.
Histórias que nos fazem refletir.
FONTE:
http://www.celsoantunes.com.br
terça-feira, 5 de maio de 2009
9 HÁBITOS DE PROFESSORES ALTAMENTE EFICIENTES

Para negociar em um mundo que muda rapidamente, as pessoas precisam ser criativas, flexíveis em relação às novas situações e encontrar soluções inovadoras para os problemas difíceis. Semelhantemente, se os professores vão preparar a sociedade para esses desafios, deverão ser modelos de aprendizes e prontos a se adaptar às mudanças para estimular o aprendizado em outras pessoas. Em resumo, um novo profissionalismo está surgindo. É o profissionalismo que requer mais envolvimento ativo pelos indivíduos no seu próprio desenvolvimento e no desenvolvimento da profissão do ensino. Este livro fascinante mostra como os professores podem se tornar habilitados, profissional e pessoalmente, a habilitar outras pessoas.
Ao adotar uma abordagem prática, ao invés de teórica, Jacquie Turnbull inclui exercícios refletivos e estudos de caso para faciliar que os professores relacionem tais estudos com suas próprias situações. A mensagem de inspiração do livro estimulará os professores a olhar além da sala de aula e desenvolver habilidades e atitudes para serem líderes de ensino na comunidade.
9 HÁBITOS DE PROFESSORES ALTAMENTE EFICIENTES
AUTOR: TURNBULL, JACQUIE
EDITORA: SBS - EDITORA
ASSUNTO: Pedagogia e Sistemas de Ensino
R$ 49,00
FONTE:
http://www.sbs.com.br
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Caminhos para uma educação no Campo
Brasil - Quando se coloca o problema da educação do campo, grande parte de nossos governantes, secretarias de educação e intelectuais que se dizem pensantes da educação, partem do princípio que os grandes desafios estão na falta de estrutura, de professores preparados, de transporte escolar adequado, de material didático-pedagógico. O grande desafio, na verdade, é a mudança do modelo de educação presente no campo.

A escola que temos no campo não prepara as crianças nem para o mundo urbano e nem para o mundo do campo (com suas diferentes expressões culturais, de organizar a vida, de convivência). Mas sim para serem subservientes à lógica do capitalismo. Ou para serem explorados, espoliados e nada mais. Enquanto as escolas agrotécnicas e os cursos de agronomia preparam jovens, quase todos oriundos do campo, para servirem as multinacionais e as regras do agronegócio, o que resta da educação no campo se afirma como uma espécie de desaprovação do conjunto de sentimento sócio-cultural que faz parte da comunidade camponesa. Não se mostra ou não se visualiza, nas escolas camponesas, as contradições presentes entre os que se afirmam donos das terras e os explorados nas relações capital trabalho. Impôs-se aos trabalhadores do campo uma visão de campo puramente capitalista: ou se produz e se reproduz a agricultura baseada no uso intensivo de fertilizantes químicos, de maquinas pesadas, agro-exportadora, com muita terra a disposição e mão-de-obra especializada e não especializada, ou então não tem agricultura sustentável. Isso é o que a mídia mostra todos os dias. Fazer a Reforma Agrária e organizar outro modo de vida no campo, com políticas públicas voltadas para os desafios postos pelas diferentes realidades culturais presentes nos diferentes sujeitos camponeses, são significados sociais e culturais que fogem a lógica do mercado neoliberal. Esse caminho não é moderno, nem produz patrão e empregado, não trabalha com máquinas pesadas, não compra muitas sementes, nem insumos, não favorece a concentração da terra, não cria graves impactos ambientais, não cria autonomia nas pessoas e nem ajuda desenvolver pesquisas nas pequenas propriedades, enfim, gera apenas grandes negócios para grandes empresários da terra. O capitalismo sabe que transformar o campo em outro espaço de convivências humanas, de produção, de intercambio, de gestação de outros sentimentos ambientais e reinvenção de outros valores, exige acabar com a expropriação e exploração da natureza. Negar esse modelo significa negar o agronegócio, os interesses das multinacionais, as políticas de preços, de commodities da famigerada organização mundial do comércio. Significa mexer na racionalidade puramente burguesa e esclerosada do capitalismo. A política que sustenta o agronegócio não tem coração, nem sentimento. Tudo é movido por meio do dinheiro, de mentiras, de mitos, de números que formam verdadeiras constelações de relações abstratas, longe dos impactos sociais, culturais e ambientais que ficaram para traz. Ao colocarmos, com certa urgência, a necessidade de um projeto político-pedagógico de educação do campo, afirmado por uma política pública que busque realmente expressar a realidade camponesa, não podemos esquecer o acúmulo de experiências de educação popular, construídas e acumuladas a partir do final dos anos 60, principalmente por parte das Comunidades Eclesiais de Base. Foi exatamente no interior destas comunidades que milhões de camponeses vivenciaram experiências de educação popular, onde muita gente aprendeu a ler e escrever a partir das lendas dos povos, leituras de mundo das famílias camponesas. Entendemos que é preciso desentulhar todas as experiências que foram registradas e engavetadas, e transformá-las em referenciais para o projeto de educação do campo que estamos construindo. Fazem parte deste patrimônio, as pedagogias que buscaram incluir o ser humano como sujeito e que muito contribuíram nas trocas de saberes entre trabalhadores e trabalhadoras. O Brasil precisa se dar ao trabalho de reconhecer seu profundo descaso em relação ao saber popular camponês. Saberes profundos que se originaram de nossas três matrizes sócio-culturais: afro, indígena e europeu. Estes saberes estão alicerçando continuamente o processo de construção do existir do povo brasileiro. Eles aparecem em festas populares, na agricultura, tratamentos de doenças com plantas medicinais, nos conhecimentos matemáticos e químicos que aparecem nas formas de plantios, nas observações das fases da lua, no ceifar e no guardar os produtos e nos tempos de cada plantio. Não se pensou, infelizmente, uma política de educação, nem linhas pedagógicas que respeitem estes saberes e aproximem de outros saberes. Entendemos o processo educativo como um conjunto de ações pedagógicas, de organizações curriculares desde o ensino infantil ao ensino superior, envolvendo todos os responsáveis pela construção deste novo ser humano camponês. A luta pela terra requer de nós uma política pedagógica que ajude ao campesinato a garantir tudo o que foi acumulado em seus imaginários, nas frestas lendárias onde os saberes se afirmam como identidade e como legado histórico. *Derli Casali é formado em filosofia e é coordenador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
A importância da articulação na construção da identidade e pela luta da educação do campo.
Salomão Hage
Gostaria de iniciar a minha fala destacando que no cenário atual existem entendimentos diferenciados sobre a concepção de educação que deverá referenciar prática pedagógica e as lutas sociais no campo.
1 – Os movimentos sociais do campo têm defendido o paradigma da EDUCAÇÃO DO CAMPO
Uma educação definida coletivamente pelos próprios sujeitos do campo.
Que não se faz sem os sujeitos do campo ou para os sujeitos do campo, mas com os sujeitos do campo.
Os sujeitos do campo são os protagonistas da educação que se realiza no Campo!
Uma educação entende o campo como o lugar onde vivem os sujeitos do campo; como sinal de vida, de trabalho, de cultura; de relações sociais.
Uma educação que quer expressar os interesses e necessidades de desenvolvimento dos sujeitos que vivem, trabalham e são do campo, e não meramente reproduzir os valores do desenvolvimento urbano.
Uma educação entendida não como um fim em si mesma, mas como um instrumento de construção da hegemonia de um projeto de sociedade: Includente, Democrática e Plural.
A educação parte do reconhecimento de que no campo existem uma pluralidade de sujeitos que podem conviver numa relação dialógica e fraterna.
Uma educação que contribui para a construção de uma outra relação entre o campo e a cidade, enfrentando a hierarquia e a desigualdade atualmente existentes.
A Educação do Campo se realiza no conjunto dos Movimentos sociais, das lutas e organizações do povo do campo!
Na luta pela terra e por condições dignas de vida e de afirmação de sua identidade.
É um projeto da Classe trabalhadora do campo para todas as pessoas que estão no campo e não somente para aqueles que se encontram engajados nos movimentos sociais do campo.
2 – As elites do campo têm defendido o paradigma da EDUCAÇÃO RURAL
Uma educação definida pelas elites (grupos de maior poder nos vários campos da sociedade) para os sujeitos do campo;
Uma educação que veicula uma concepção “urbano-cêntrica” de vida e desenvolvimento, a qual dissemina um entendimento generalizado de que o espaço urbano é superior ao meio rural, de que a vida na cidade oferece o acesso a todos os bens e serviços públicos, de que a cidade é o lugar do desenvolvimento, da tecnologia e do futuro, enquanto o meio rural é o lugar do atraso, da ignorância, da pobreza e da falta de condições mínimas de sobrevivência.
Os defensores dessa concepção afirmam ainda que a diferenciação entre o rural e o urbano não faz mais sentido, uma vez que o modo de vida do camponês está em processo de extinção e a única possibilidade de sobrevivência das populações do campo seria a sua integração ao modelo de vida da cidade, à agroindústria de grande porte e a sua subordinação às exigências mercadológicas da agricultura capitalista – o AGRONEGÓCIO.
Uma educação que não leva em consideração os conhecimentos que os alunos trazem de suas experiências e de suas famílias;
Uma educação que desvaloriza a vida do campo, diminuindo a auto-estima dos alunos e descaracterizando suas identidades;
Uma educação que fortalece o ciclo vicioso que os sujeitos do campo realizam: “de estudar para sair do campo” ou “de sair do campo para estudar”, fortalecendo o processo de migração campo-cidade;
Uma educação que se constitui enquanto um instrumento de reprodução e expansão da estrutura agrária e de uma sociedade excludentes.
A Educação do Campo se constitui numa ação “emancipatória” – incentiva os sujeitos do campo a pensar e agir por si próprios, assumindo sua condição de sujeitos da aprendizagem, do trabalho e da cultura.
Emancipar significa romper com a tutela de outrem, significa ter a possibilidade de tomar suas próprias decisões, segundo seus interesses e necessidades.
As populações do campo têm o direito de definir seus próprios caminhos, suas intencionalidades, seus horizontes.
A Educação rural se constitui numa ação “compensatória” – trata os sujeitos do campo como incapazes de tomar suas próprias decisões. São sujeitos que apresentam limitações, em função das poucas oportunidades que tiveram em sua vida e do pouco conhecimento que tem.
A educação é dada aos individuos para suprir suas carências mais elementares – Educação supletiva. Transmite-se a cada indivíduo somente os conhecimentos básicos, pois se acredita não ser necessário aos sujeitos do campo, que lidam com a roça, aprender conhecimentos complexos, que desenvolvam sua capacidade intelectual.
A educação é tida como um favor e não como um direito!
Para reafirmar o entendimento de Educação do campo como direito e não como favor, temos que apresentar políticas públicas sociais e educacionais que sejam elaboradas de nosso próprio lugar. Que tenham a nossa cara, o nosso jeito de ser, de sentir, de agir e de viver Amazônida.
Infelizmente, os estudos que vimos desenvolvendo através do GEPERUAZ nos tem revelado que no processo de elaboração das políticas sociais e educacionais para a região, tem-se desconsiderado os aspectos produtivos, ambientais e sócio-culturais locais e diversos presentes na região e na sociedade.
A Amazônia apresenta como uma de suas características fundamentais a “heterogeneidade”, que precisa ser considerada nas propostas e políticas sociais e educacionais a serem apresentadas para a Região.
Essas particularidades produtivas, ambientais e sócio-culturais revelam a complexidade e o antagonismo que envolvem relações de poder entre grupos, populações e movimentos sociais presentes na Amazônia e mais especificamente no espaço da Amazônia do campo em torno da disputa pela hegemonia de projetos sociais específicos; de suas identidades culturais próprias; e do uso dos recursos naturais da Região. Essa situação nos adverte sobre a necessidade de que essas particularidades e esses processos conflitivos sejam considerados no processo de formulação de políticas públicas sociais e educacionais para a região.
Para garantir uma participação mais ampliada na elaboração das políticas educacionais para o campo no Estado do Pará, temos fortalecido a atuação do Fórum Paraense de Educação do Campo, que desde 2004, tem se colocado com mais intensidade nesse processo.
Em 2004, elaboramos o I Seminário de Educação do Campo e Desenvolvimento Rural na Amazônia e em 2005, estaremos realizando o II Seminário Estadual, congregando Entidades da Sociedade Civil, Movimentos Sociais, Instituições de Ensino, Pesquisa, Órgãos Governamentais de fomento ao desenvolvimento e da área educacional da sociedade paraense, que buscam defender, implementar, apoiar, fortalecer políticas públicas, estratégias e experiências de educação do campo e desenvolvimento rural com qualidade social para todos/as os/as cidadãos/ãs paraenses, sobretudo para as populações do campo, aqui entendidas como: agricultores/as familiares, indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos e pescadores.
Essa tem sido a nossa luta e é por isso que estamos aqui, para estimular vocês nessa caminhada e para estimulá-los a participar cada vez mais, de forma articulada, desse Movimento por uma Educação do Campo no Pará e no Brasil.
Fonte
www.istoe.com.br

A escola que temos no campo não prepara as crianças nem para o mundo urbano e nem para o mundo do campo (com suas diferentes expressões culturais, de organizar a vida, de convivência). Mas sim para serem subservientes à lógica do capitalismo. Ou para serem explorados, espoliados e nada mais. Enquanto as escolas agrotécnicas e os cursos de agronomia preparam jovens, quase todos oriundos do campo, para servirem as multinacionais e as regras do agronegócio, o que resta da educação no campo se afirma como uma espécie de desaprovação do conjunto de sentimento sócio-cultural que faz parte da comunidade camponesa. Não se mostra ou não se visualiza, nas escolas camponesas, as contradições presentes entre os que se afirmam donos das terras e os explorados nas relações capital trabalho. Impôs-se aos trabalhadores do campo uma visão de campo puramente capitalista: ou se produz e se reproduz a agricultura baseada no uso intensivo de fertilizantes químicos, de maquinas pesadas, agro-exportadora, com muita terra a disposição e mão-de-obra especializada e não especializada, ou então não tem agricultura sustentável. Isso é o que a mídia mostra todos os dias. Fazer a Reforma Agrária e organizar outro modo de vida no campo, com políticas públicas voltadas para os desafios postos pelas diferentes realidades culturais presentes nos diferentes sujeitos camponeses, são significados sociais e culturais que fogem a lógica do mercado neoliberal. Esse caminho não é moderno, nem produz patrão e empregado, não trabalha com máquinas pesadas, não compra muitas sementes, nem insumos, não favorece a concentração da terra, não cria graves impactos ambientais, não cria autonomia nas pessoas e nem ajuda desenvolver pesquisas nas pequenas propriedades, enfim, gera apenas grandes negócios para grandes empresários da terra. O capitalismo sabe que transformar o campo em outro espaço de convivências humanas, de produção, de intercambio, de gestação de outros sentimentos ambientais e reinvenção de outros valores, exige acabar com a expropriação e exploração da natureza. Negar esse modelo significa negar o agronegócio, os interesses das multinacionais, as políticas de preços, de commodities da famigerada organização mundial do comércio. Significa mexer na racionalidade puramente burguesa e esclerosada do capitalismo. A política que sustenta o agronegócio não tem coração, nem sentimento. Tudo é movido por meio do dinheiro, de mentiras, de mitos, de números que formam verdadeiras constelações de relações abstratas, longe dos impactos sociais, culturais e ambientais que ficaram para traz. Ao colocarmos, com certa urgência, a necessidade de um projeto político-pedagógico de educação do campo, afirmado por uma política pública que busque realmente expressar a realidade camponesa, não podemos esquecer o acúmulo de experiências de educação popular, construídas e acumuladas a partir do final dos anos 60, principalmente por parte das Comunidades Eclesiais de Base. Foi exatamente no interior destas comunidades que milhões de camponeses vivenciaram experiências de educação popular, onde muita gente aprendeu a ler e escrever a partir das lendas dos povos, leituras de mundo das famílias camponesas. Entendemos que é preciso desentulhar todas as experiências que foram registradas e engavetadas, e transformá-las em referenciais para o projeto de educação do campo que estamos construindo. Fazem parte deste patrimônio, as pedagogias que buscaram incluir o ser humano como sujeito e que muito contribuíram nas trocas de saberes entre trabalhadores e trabalhadoras. O Brasil precisa se dar ao trabalho de reconhecer seu profundo descaso em relação ao saber popular camponês. Saberes profundos que se originaram de nossas três matrizes sócio-culturais: afro, indígena e europeu. Estes saberes estão alicerçando continuamente o processo de construção do existir do povo brasileiro. Eles aparecem em festas populares, na agricultura, tratamentos de doenças com plantas medicinais, nos conhecimentos matemáticos e químicos que aparecem nas formas de plantios, nas observações das fases da lua, no ceifar e no guardar os produtos e nos tempos de cada plantio. Não se pensou, infelizmente, uma política de educação, nem linhas pedagógicas que respeitem estes saberes e aproximem de outros saberes. Entendemos o processo educativo como um conjunto de ações pedagógicas, de organizações curriculares desde o ensino infantil ao ensino superior, envolvendo todos os responsáveis pela construção deste novo ser humano camponês. A luta pela terra requer de nós uma política pedagógica que ajude ao campesinato a garantir tudo o que foi acumulado em seus imaginários, nas frestas lendárias onde os saberes se afirmam como identidade e como legado histórico. *Derli Casali é formado em filosofia e é coordenador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
A importância da articulação na construção da identidade e pela luta da educação do campo.
Salomão Hage
Gostaria de iniciar a minha fala destacando que no cenário atual existem entendimentos diferenciados sobre a concepção de educação que deverá referenciar prática pedagógica e as lutas sociais no campo.
1 – Os movimentos sociais do campo têm defendido o paradigma da EDUCAÇÃO DO CAMPO
Uma educação definida coletivamente pelos próprios sujeitos do campo.
Que não se faz sem os sujeitos do campo ou para os sujeitos do campo, mas com os sujeitos do campo.
Os sujeitos do campo são os protagonistas da educação que se realiza no Campo!
Uma educação entende o campo como o lugar onde vivem os sujeitos do campo; como sinal de vida, de trabalho, de cultura; de relações sociais.
Uma educação que quer expressar os interesses e necessidades de desenvolvimento dos sujeitos que vivem, trabalham e são do campo, e não meramente reproduzir os valores do desenvolvimento urbano.
Uma educação entendida não como um fim em si mesma, mas como um instrumento de construção da hegemonia de um projeto de sociedade: Includente, Democrática e Plural.
A educação parte do reconhecimento de que no campo existem uma pluralidade de sujeitos que podem conviver numa relação dialógica e fraterna.
Uma educação que contribui para a construção de uma outra relação entre o campo e a cidade, enfrentando a hierarquia e a desigualdade atualmente existentes.
A Educação do Campo se realiza no conjunto dos Movimentos sociais, das lutas e organizações do povo do campo!
Na luta pela terra e por condições dignas de vida e de afirmação de sua identidade.
É um projeto da Classe trabalhadora do campo para todas as pessoas que estão no campo e não somente para aqueles que se encontram engajados nos movimentos sociais do campo.
2 – As elites do campo têm defendido o paradigma da EDUCAÇÃO RURAL
Uma educação definida pelas elites (grupos de maior poder nos vários campos da sociedade) para os sujeitos do campo;
Uma educação que veicula uma concepção “urbano-cêntrica” de vida e desenvolvimento, a qual dissemina um entendimento generalizado de que o espaço urbano é superior ao meio rural, de que a vida na cidade oferece o acesso a todos os bens e serviços públicos, de que a cidade é o lugar do desenvolvimento, da tecnologia e do futuro, enquanto o meio rural é o lugar do atraso, da ignorância, da pobreza e da falta de condições mínimas de sobrevivência.
Os defensores dessa concepção afirmam ainda que a diferenciação entre o rural e o urbano não faz mais sentido, uma vez que o modo de vida do camponês está em processo de extinção e a única possibilidade de sobrevivência das populações do campo seria a sua integração ao modelo de vida da cidade, à agroindústria de grande porte e a sua subordinação às exigências mercadológicas da agricultura capitalista – o AGRONEGÓCIO.
Uma educação que não leva em consideração os conhecimentos que os alunos trazem de suas experiências e de suas famílias;
Uma educação que desvaloriza a vida do campo, diminuindo a auto-estima dos alunos e descaracterizando suas identidades;
Uma educação que fortalece o ciclo vicioso que os sujeitos do campo realizam: “de estudar para sair do campo” ou “de sair do campo para estudar”, fortalecendo o processo de migração campo-cidade;
Uma educação que se constitui enquanto um instrumento de reprodução e expansão da estrutura agrária e de uma sociedade excludentes.
A Educação do Campo se constitui numa ação “emancipatória” – incentiva os sujeitos do campo a pensar e agir por si próprios, assumindo sua condição de sujeitos da aprendizagem, do trabalho e da cultura.
Emancipar significa romper com a tutela de outrem, significa ter a possibilidade de tomar suas próprias decisões, segundo seus interesses e necessidades.
As populações do campo têm o direito de definir seus próprios caminhos, suas intencionalidades, seus horizontes.
A Educação rural se constitui numa ação “compensatória” – trata os sujeitos do campo como incapazes de tomar suas próprias decisões. São sujeitos que apresentam limitações, em função das poucas oportunidades que tiveram em sua vida e do pouco conhecimento que tem.
A educação é dada aos individuos para suprir suas carências mais elementares – Educação supletiva. Transmite-se a cada indivíduo somente os conhecimentos básicos, pois se acredita não ser necessário aos sujeitos do campo, que lidam com a roça, aprender conhecimentos complexos, que desenvolvam sua capacidade intelectual.
A educação é tida como um favor e não como um direito!
Para reafirmar o entendimento de Educação do campo como direito e não como favor, temos que apresentar políticas públicas sociais e educacionais que sejam elaboradas de nosso próprio lugar. Que tenham a nossa cara, o nosso jeito de ser, de sentir, de agir e de viver Amazônida.
Infelizmente, os estudos que vimos desenvolvendo através do GEPERUAZ nos tem revelado que no processo de elaboração das políticas sociais e educacionais para a região, tem-se desconsiderado os aspectos produtivos, ambientais e sócio-culturais locais e diversos presentes na região e na sociedade.
A Amazônia apresenta como uma de suas características fundamentais a “heterogeneidade”, que precisa ser considerada nas propostas e políticas sociais e educacionais a serem apresentadas para a Região.
Essas particularidades produtivas, ambientais e sócio-culturais revelam a complexidade e o antagonismo que envolvem relações de poder entre grupos, populações e movimentos sociais presentes na Amazônia e mais especificamente no espaço da Amazônia do campo em torno da disputa pela hegemonia de projetos sociais específicos; de suas identidades culturais próprias; e do uso dos recursos naturais da Região. Essa situação nos adverte sobre a necessidade de que essas particularidades e esses processos conflitivos sejam considerados no processo de formulação de políticas públicas sociais e educacionais para a região.
Para garantir uma participação mais ampliada na elaboração das políticas educacionais para o campo no Estado do Pará, temos fortalecido a atuação do Fórum Paraense de Educação do Campo, que desde 2004, tem se colocado com mais intensidade nesse processo.
Em 2004, elaboramos o I Seminário de Educação do Campo e Desenvolvimento Rural na Amazônia e em 2005, estaremos realizando o II Seminário Estadual, congregando Entidades da Sociedade Civil, Movimentos Sociais, Instituições de Ensino, Pesquisa, Órgãos Governamentais de fomento ao desenvolvimento e da área educacional da sociedade paraense, que buscam defender, implementar, apoiar, fortalecer políticas públicas, estratégias e experiências de educação do campo e desenvolvimento rural com qualidade social para todos/as os/as cidadãos/ãs paraenses, sobretudo para as populações do campo, aqui entendidas como: agricultores/as familiares, indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos e pescadores.
Essa tem sido a nossa luta e é por isso que estamos aqui, para estimular vocês nessa caminhada e para estimulá-los a participar cada vez mais, de forma articulada, desse Movimento por uma Educação do Campo no Pará e no Brasil.
Fonte
www.istoe.com.br
domingo, 26 de abril de 2009
Quem ama EDUCA > < Quem EDUCA ama

O objetivo do livro é devolver para a família a responsabilidade de educar os filhos, hoje atribuída à escola, dada a nova dinâmica familiar e profissional da sociedade ocidental. O autor se propõe a ajudar os pais nessa empreitada, reforçando a importância de valores e atitudes como limites e diálogo. Ressalta também que os pais devem se sentir tranqüilos em relação à educação dada a seus filhos, na medida em que lhes transmitem a responsabilidade pela própria felicidade, dando-lhes a autonomia de que eles certamente precisarão na vida adulta. Por fim, fica marcada a idéia de que os pais têm de garantir uma boa educação, que fizeram à sua parte da melhor maneira e assim contribuir para que seus filhos sejam felizes.

Juventude & Drogas: Anjos Caídos é resultado de 40 anos de experiência clínica em consultório e hospitais e no combate às drogas. E dá continuidade ao objetivo do Dr. Tiba: ajudar a família, a escola e o jovem a desenvolverem caminhos de controle ou de superação do uso das drogas. Nesta obra, o autor não só orienta sobre como prevenir o uso de drogas, identificar um filho usuário ou abordá-lo para iniciar tratamento. O autor faz com que adultos entendam o universo dos adolescentes, identificando e conhecendo as razões que levam seus filhos às drogas.
Álcool, cigarro, inalantes e solventes, maconha, tranqüilizantes, anfetaminas, cocaína, crack, merla, alucinógenos, esteróides e anabolizantes, sedativos e indutores do sono, heroína e morfina têm seus sintomas, usos e tratamentos explicados, um a um, em detalhes
Juventude & Drogas: Anjos Caídos é resultado de 40 anos de experiência clínica em consultório e hospitais (além de diversas participações em congressos) no combate às drogas e dá continuidade ao objetivo do dr. Içami Tiba: ajudar a família, a escola e o jovem a desenvolverem caminhos de controle ou de superação do uso das drogas.
A Integrare Editora, por ter uma proposta de ser uma empresa socialmente responsável e por acreditar que o papel das empresas vai além de pagar impostos e gerar empregos, destina uma porcentagem do faturamento de todo lançamento para uma entidade não-governamental reconhecida, atitude que faz parte de sua política empresarial.
Por essa razão, destina um porcentual da venda desta obra para a ONG Associação Parceria Contra Drogas, uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, voltada para a execução de projetos que contribuam para a ampliação e efetivação dos direitos humanos e o fortalecimento da cidadania especialmente dos grupos que, na história de nosso País, vêm sendo tradicionalmente excluídos de seu exercício.
"Esta obra vale tanto quanto uma campanha na televisão. Içami Tiba sabe passar a informação preciosa para pais que não querem perder seus filhos para as drogas. Muito obrigado por estabelecer uma parceria por meio desta sua nova obra, estamos felizes com a sua disponibilidade e a da Integrare Editora."
Paulo Heise
Presidente da Associação Parceria
Contra as Drogas
FONTE
http://www.tiba.com.br/
Obras do autor:
Sexo e Adolescência, Editora Ática, 10ª- ed., 1985.
Puberdade e Adolescência, Editora Ágora, 6ª- ed., 1986.
Saiba Mais sobre Maconha e Jovens, Editora Ágora, 6ª- ed., 1989
123 Respostas sobre Drogas, Editora Scipione, 3ª- ed., 11ª- impr., 1994.
Adolescência, o Despertar do Sexo, Editora Gente, 18ª- ed., 1994.
Seja Feliz, Meu Filho, Editora Gente, 21ª- ed., 1995.
Abaixo a Irritação, Editora Gente, 16ª- ed., 1995.
Disciplina, limite na medida certa, Editora Gente, 72ª- ed. 1996
O(A) Executivo(a) & Sua Família - O Sucesso dos Pais Não Garante a Felicidade dos Filhos, Editora Gente, 8ª- ed., 1998.
Amor, Felicidade & Cia., Editora Gente, 7ª- ed., 1998.
Ensinar Aprendendo, Editora Gente, 24ª- ed., 1998.
Anjos Caídos - Como Prevenir e Eliminar as Drogas na Vida do Adolescente, Editora Gente, 31ª- ed., 1999.
Obrigado, Minha Esposa, Editora Gente, 2ª- ed., 2001.
Quem Ama, Educa!, Editora Gente, 160ª- ed., 2002.
Homem-Cobra, Mulher-Polvo, Editora Gente, 26ª- ed., 2004.
Adolescentes: Quem Ama, Educa! - Integrare Editora, 38ª ed., 2008.
Entre 2006 e 2007 lançou as versões revisadas e atualizadas dos livros:
Disciplina: limite na medida certa. Novos Paradigmas, Integrare Editora, 80ª ed., 2008;
Ensinar Aprendendo. Novos paradigmas na educação, Integrare Editora, 28ª ed., 2008;
Educação & Amor, Integrare Editora, 2ª ed., 2007;
Seja Feliz, Meu Filho, Integrare Editora, 25ª. ed., 2007;
Juventude & Drogas: Anjos Caídos, Integrare Editora, 9ª ed., 2008;
Quem Ama, Educa! Formando cidadãos éticos; Integrare Editora,10ª ed., 2008.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Fala sério ... vale a pena conferir!!!
Autora do sucesso Tudo Por um Pop Star , com 12 mil exemplares vendidos, Thalita Rebouças lança obra sobre a delicada relação mãe e filha adolescente.

Que ser mãe é padecer no paraíso a sabedoria popular já tratou de espalhar para todo o mundo. Mas... e quanto aos filhos? Será que não vivem lá o seu quinhão de martírio nessa relação?
Em Fala sério, mãe!, a autora Thalita Rebouças, com seu bom humor costumeiro, apresenta os dois lados da moeda. Ao longo do livro são descritas as queixas e alegrias da mãe coruja, e um tantinho estressada, Angela Cristina, em relação à filha primogênita Maria de Lourdes, a Malu, assim como as teimosias e o sentimento de opressão desta em função dos cuidados, muitas vezes excessivos, de sua genitora.
Fala Sério, Mãe! chega às livrarias em novembro e deve repetir o sucesso de Tudo Por um Pop Star.
Para retratar os dois pontos de vista, a autora lança mão do seguinte expediente: a primeira parte do livro, da gestação de Maria de Lourdes até seus 13 anos, é narrada pela mãe, que, então, passa a palavra à filha de uma forma bastante inteligente e sensível: "É a menina cedendo lugar não à mulher, mas a uma linda mocinha. A minha mocinha (...) que se orgulha de ter idéias e ideais, que me ensina muito, diariamente, e que se expressa com clareza e coerência através de gestos, atitudes e, principalmente, palavras. É, palavras. A partir de agora, tenho certeza, ela já pode falar por si própria."
Nesse momento entra em cena a segunda narradora, a própria Maria de Lourdes, contando, de acordo com sua ótica, a relação de amor e ódio com a figura materna. Sua narração se estende até o fim da história, quando ela está com 21 anos.
No livro são descritas as habituais, e saudáveis, discordâncias existentes entre mães e filhas. As discussões entre Maria de Lourdes e Angela Cristina, às vezes sérias, outras vezes engraçadas; às vezes importantes, outras vezes irrelevantes, todas, no entanto, regadas a amor, possibilitando-lhes crescimento e amizade.
E, para fechar (ou abrir?) com chave de ouro a obra, o texto da orelha traz as duas protagonistas apresentando o livro num diálogo divertidíssimo. Ali elas dão uma palhinha do que vai ser a história: o relato da convivência, por vezes selvagem, entre criadora e criatura.

Como será que a Maria de Lourdes, ou, Malu, se relacionou com seus professores do colégio, da academia, do curso de inglês, de shiatsu, teatro, os particulares, os gatos, os durões, os que amavam ser durões, os amigos, o meio doido, o que não ria, o que não perdoava cola. Chegou a hora de revirarmos juntos o baú da trajetória da moça como aluna, narrada em crônicas pra lá de bem-humoradas que acompanham sua vida dos 3 aos 22 anos.
É ela mesma, a Malu, a filha da Angela Cristina, aquela que nos mostrou sua divertida e conflituosa relação com a figura materna em Fala sério, mãe! Mas a mãe não foi a única responsável pela tarefa de educá-la. E nem a única com quem ela teve conflitos enquanto crescia. Com alegria e bom humor, marcas registradas da autora, o livro promete boas gargalhadas e momentos da mais pura diversão.
- Tudo por um pop star, Tudo por um namorado e Fala sério, mãe!, os outros livros de Thalita Rebouças, continuam fazendo muito sucesso.
- A autora é adorada por seu público e mantém um site (www.thalita.com ) para se comunicar diretamente com todos que a procuram.
- Faz questão de passar a mensagem ?ler é bacana?.
- Escreve de um jeito bem peculiar e sobre temas atuais que costumam prender bastante a atenção principalmente das meninas.
Leiam e se divirtam com esses bem humorados livros escrito para todos nós...Fala sério!!!
Confira a lista de publicações da autora:
http://compare.buscape.com.br/proc_unico?id=3482&raiz=3482&kw=thalita+rebou%E7as
FONTE:http://www.thalita.com.br

Que ser mãe é padecer no paraíso a sabedoria popular já tratou de espalhar para todo o mundo. Mas... e quanto aos filhos? Será que não vivem lá o seu quinhão de martírio nessa relação?
Em Fala sério, mãe!, a autora Thalita Rebouças, com seu bom humor costumeiro, apresenta os dois lados da moeda. Ao longo do livro são descritas as queixas e alegrias da mãe coruja, e um tantinho estressada, Angela Cristina, em relação à filha primogênita Maria de Lourdes, a Malu, assim como as teimosias e o sentimento de opressão desta em função dos cuidados, muitas vezes excessivos, de sua genitora.
Fala Sério, Mãe! chega às livrarias em novembro e deve repetir o sucesso de Tudo Por um Pop Star.
Para retratar os dois pontos de vista, a autora lança mão do seguinte expediente: a primeira parte do livro, da gestação de Maria de Lourdes até seus 13 anos, é narrada pela mãe, que, então, passa a palavra à filha de uma forma bastante inteligente e sensível: "É a menina cedendo lugar não à mulher, mas a uma linda mocinha. A minha mocinha (...) que se orgulha de ter idéias e ideais, que me ensina muito, diariamente, e que se expressa com clareza e coerência através de gestos, atitudes e, principalmente, palavras. É, palavras. A partir de agora, tenho certeza, ela já pode falar por si própria."
Nesse momento entra em cena a segunda narradora, a própria Maria de Lourdes, contando, de acordo com sua ótica, a relação de amor e ódio com a figura materna. Sua narração se estende até o fim da história, quando ela está com 21 anos.
No livro são descritas as habituais, e saudáveis, discordâncias existentes entre mães e filhas. As discussões entre Maria de Lourdes e Angela Cristina, às vezes sérias, outras vezes engraçadas; às vezes importantes, outras vezes irrelevantes, todas, no entanto, regadas a amor, possibilitando-lhes crescimento e amizade.
E, para fechar (ou abrir?) com chave de ouro a obra, o texto da orelha traz as duas protagonistas apresentando o livro num diálogo divertidíssimo. Ali elas dão uma palhinha do que vai ser a história: o relato da convivência, por vezes selvagem, entre criadora e criatura.

Como será que a Maria de Lourdes, ou, Malu, se relacionou com seus professores do colégio, da academia, do curso de inglês, de shiatsu, teatro, os particulares, os gatos, os durões, os que amavam ser durões, os amigos, o meio doido, o que não ria, o que não perdoava cola. Chegou a hora de revirarmos juntos o baú da trajetória da moça como aluna, narrada em crônicas pra lá de bem-humoradas que acompanham sua vida dos 3 aos 22 anos.
É ela mesma, a Malu, a filha da Angela Cristina, aquela que nos mostrou sua divertida e conflituosa relação com a figura materna em Fala sério, mãe! Mas a mãe não foi a única responsável pela tarefa de educá-la. E nem a única com quem ela teve conflitos enquanto crescia. Com alegria e bom humor, marcas registradas da autora, o livro promete boas gargalhadas e momentos da mais pura diversão.
- Tudo por um pop star, Tudo por um namorado e Fala sério, mãe!, os outros livros de Thalita Rebouças, continuam fazendo muito sucesso.
- A autora é adorada por seu público e mantém um site (www.thalita.com ) para se comunicar diretamente com todos que a procuram.
- Faz questão de passar a mensagem ?ler é bacana?.
- Escreve de um jeito bem peculiar e sobre temas atuais que costumam prender bastante a atenção principalmente das meninas.
Leiam e se divirtam com esses bem humorados livros escrito para todos nós...Fala sério!!!
Confira a lista de publicações da autora:
http://compare.buscape.com.br/proc_unico?id=3482&raiz=3482&kw=thalita+rebou%E7as
FONTE:http://www.thalita.com.br
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